segunda-feira, 26 de junho de 2017

Estas Minas! Nossas Minas... Arquitetura do lugar.


A paisagem urbana de uma cidade com mais de três séculos deve ser percebida não apenas em sua parte visível. Sua constituição histórica formou-se por várias camadas que criaram ao longo do tempo este ambiente citadino. O subsolo da cidade antiga é parte constitutiva do ambiente urbano de Ouro Preto, não se pode trabalhar a urbanidade sem nos imergir em seus subterrâneos, que durante o período de exploração mineral foram os responsáveis pela opulência da sociedade que por lá se constituiu. Lugares não só de riqueza, mas também espaço de contato com o que há de mais perverso na humanidade, a exploração do trabalho escravo. 


Esboço de uma parte da cidade de Ouro Preto (20 de Maio de 1913)

A documentação que hoje apresentamos facilita. em boa medida, a percepção das mudanças ocorridas no espaço urbano, sendo o mesmo composto por planta e memorial descritivo.

O memorial e planta sobre as lavras auríferas dos “Tassaras e arredores” elaboradoras por dois engenheiros de Minas (Marciano Pereira Ribeiro e Clodomiro de Oliveira) contratados pela Câmara em 1903 para o levantamento de terrenos foreiros da região. Foi elaborado um estudo aprofundando da exploração mineral da região mineraria em que se inserem estes terrenos.

Os autores abordam aspectos geológicos, físicos e topográficos do subsolo. O estudo traça um histórico da intensa exploração mineraria ocorrida a partir do século XVIII na região “dos morros dominantes de Vila Rica “- Morro de Sant’Ana, Morro de São João, córrego da Pedra Grande, Ouro Podre, Saragoça (sic) Sumaré, Córrego Seco...  “O Aspecto físico desses morros se acha profundamente modificado, já pelos grandes serviços de mineração...”

Memorial Descritivo Folha 6

As fases de extração foram subdivididas, mesmo os engenheiros afirmando que um tratamento cronológico das atividades era difícil.
As anteriores a 1740, cuja importância da área como espaço de mineração é assim demonstrada: “O primeiro período anterior a 1740, e do qual não se tem referências positivas e somente vagas. E da impulsão e atividade que tiveram, se tem atestado nas numerosas ruínas de edificações grandiosas e no seu numero de serviços a céu aberto e subterrâneos que se vêm disseminada por toda a parte.”


Memorial Descritivo Folha 7

Entre os anos de 1740 a 1790 “...Muitas dessas datas caíram em caducidade e foram novamente concedidas a outros mineiros.”

Referente ao período de 1800 a 1840 foram utilizados os estudos do “Barão Eschweg, além de dados contidos no testamento da antiga concessionária de minas de Joana Gonçalves. Neste intervalo os autores relatam o episódio ocorrido em 1814, com o cirurgião mor Vieiras da Cruz, concessionário das minas da Piedade e seus escravos, quando do abatimento das galerias ocasionou o soterramento de todos. “Esse infeliz mineiro quando explorava a base de um rico veeiro com seus escravos fora nele sepultado pelo desabamento do mesmo. 

Memorial Descritivo Folha 9

Desabamento que segundo elle fora devido a uma chuva continua de 60 dias... Porem chama mais atenção os efeitos dessa chuva de 60 dias, é na região das Lavras dos Tassaras. Ai não se caracterizaram só pela formação de fendas, deu-se o desagregamento (sic) das camadas do terreno e conseqüentemente seu desabamento, e este foi de tal que deu lugar a formação de uma verdadeira bacia, que abrange toda área explorada a ceo (sic) aberto que fica ao norte do morro da Piedade, estendendo-se  também para oeste em uma grande extensão...”   

Memorial Descritivo Folha 10

O memorial abrange uma área considerada de risco geológico que abriga o Parque arqueológico do Morro da Queimada. Revisitar estes estudos e torná-los palatáveis aos cidadãos é de suma relevância, afinal são eles os grande interessados na adequação do ambiente urbano. O movimento de salvaguarda da paisagem urbana de Ouro Preto é hoje um problema de grande impacto para o poder público e a população. É preciso que todos reconheçam a importância da cidade para além de um espaço congelado,  ela é também espaço de convivência comunitária com atividades econômicas e tem o papel de qualquer outro espaço urbano do Século XXI.




Referências:

Memorial e planta sobre as lavras auríferas dos "Tassaras e arredores" feita pelos engenheiros Mariano Pereira Ribeiro e Clodomiro de Oliveira, 1903.


Planta esboço de uma parte da cidade de Ouro Preto, elaborada pelo agrimensor Joaquim José Guimarães Pinto, 1913.


Postagem e Revisão:

Helenice de Oliveira e Polyana Oliveira

quinta-feira, 27 de abril de 2017

Pretos...Pardos...Cabras... Gente de cor e as ações de liberdade.

A promulgação da Lei Áurea em 1888 foi precedida por varias ações que buscaram, ao longo do tempo, produzir leis que concediam direitos aos escravizados: a concessão de cartas de alforria,  o direito a constituírem um núcleo familiar e  a Lei do Ventre Livre. As ações de resistência ao regime escravista, como a ocorrida no Quilombo dos Palmares e na Revolta dos Males, proporcionaram em certo ponto uma reflexão dos senhores sobre a necessidade de se produzir mecanismos para a flexibilização das leis escravistas.   

O Objetivo da Lei 2.040 de 28 de Setembro de 1871 foi dar liberdade gradativa aos indivíduos ainda em condição de escravidão. O mecanismo utilizado foi o estabelecimento de um Fundo de Emancipação, cuja receita era proveniente de alguns encargos específicos, como: taxa de escravos, impostos sobre transmissão de propriedade, do produto de seis loterias e de multa imposta em virtude do não cumprimento desta Lei, quotas marcadas no Orçamento geral, provinciais e municipais a subscrições, doações e legados. Este fundo seria utilizado para pagamento de alforrias de cativos selecionados por juntas classificadoras de escravos.
Os municípios do Império deviam instituir uma junta de classificação, que seria responsável pela administração dos recursos oriundos do Fundo de Emancipação.
Cabendo aos proprietários dos escravos a classificação dos aptos a concorrerem no processo de alforria.

O Livro de classificação dos escravos à serem libertados pelo fundo de emancipação em conformidade com o artigo 31 do Decreto nº 5135 de Novembro de 1872, apresenta informações importantes, como nome do escravizado, cor, idade, Estado civil, profissão, aptidão para o trabalho, membros da família, moralidade, valor monetário, nome do senhor além de um campo para observações.
Os ofícios exercidos por homens eram de roceiros, caseiros, alfaiates, servente, sapateiro e pajem. Já as mulheres eram fiandeiras, costureiras, engomadeiras, cozinheiras e lavadeiras.


Em 15 de outubro de 1886, foi sancionada pelo Império do Brasil, a Lei de proibição de açoite de escravos. Nestes mesmos termos, a Câmara Municipal de Ouro Preto em dezembro do mesmo ano, apresentou proposta de modificação de posturas para a proibição de açoite de escravos e entrada de escravos vindos de fora para aqui residirem.


 O Ofício Circular do dia 16 de Maio de 1888, do Palácio da Presidência da Província de Minas Gerais, notifica a abolição do trabalho escravo no Brasil, cabe salientar que essa deliberação ocorreu tardiamente, quando o Brasil estava prestes à se tornar uma República. Atualmente, evidências indicam que entraremos em um grande retrocesso histórico com as Reformas Trabalhistas que vêm sendo propostas, em breve, independente da cor ou ofício, o povo brasileiro estará exposto a um regime que beneficiará apenas o capital.









Referências:
 Lei 2040/1871

Lei 5135 /1872


Lei no. 3310/1886


Louzada Cátia.Fundo de emancipação e famílias escravas:o município Neutro na lei de 1871.


Postagem e Revisão:

Helenice de Oliveira e Polyana Oliveira

Pretos...Pardos...Cabras... Gente de cor e as ações de liberdade.

A promulgação da Lei Áurea em 1888 foi precedida por varias ações que buscaram, ao longo do tempo, produzir leis que concediam direitos aos escravizados: a concessão de cartas de alforria,  o direito a constituírem um núcleo familiar e  a Lei do Ventre Livre. As ações de resistência ao regime escravista, como a ocorrida no Quilombo dos Palmares e na Revolta dos Males, proporcionaram em certo ponto uma reflexão dos senhores sobre a necessidade de se produzir mecanismos para a flexibilização das leis escravistas.   

O Objetivo da Lei 2.040 de 28 de Setembro de 1871 foi dar liberdade gradativa aos indivíduos ainda em condição de escravidão. O mecanismo utilizado foi o estabelecimento de um Fundo de Emancipação, cuja receita era proveniente de alguns encargos específicos, como: taxa de escravos, impostos sobre transmissão de propriedade, do produto de seis loterias e de multa imposta em virtude do não cumprimento desta Lei, quotas marcadas no Orçamento geral, provinciais e municipais a subscrições, doações e legados. Este fundo seria utilizado para pagamento de alforrias de cativos selecionados por juntas classificadoras de escravos.
Os municípios do Império deviam instituir uma junta de classificação, que seria responsável pela administração dos recursos oriundos do Fundo de Emancipação.
Cabendo aos proprietários dos escravos a classificação dos aptos a concorrerem no processo de alforria.

O Livro de classificação dos escravos à serem libertados pelo fundo de emancipação em conformidade com o artigo 31 do Decreto nº 5135 de Novembro de 1872, apresenta informações importantes, como nome do escravizado, cor, idade, Estado civil, profissão, aptidão para o trabalho, membros da família, moralidade, valor monetário, nome do senhor além de um campo para observações.
Os ofícios exercidos por homens eram de roceiros, caseiros, alfaiates, servente, sapateiro e pajem. Já as mulheres eram fiandeiras, costureiras, engomadeiras, cozinheiras e lavadeiras.


Em 15 de outubro de 1886, foi sancionada pelo Império do Brasil, a Lei de proibição de açoite de escravos. Nestes mesmos termos, a Câmara Municipal de Ouro Preto em dezembro do mesmo ano, apresentou proposta de modificação de posturas para a proibição de açoite de escravos e entrada de escravos vindos de fora para aqui residirem.


 O Ofício Circular do dia 16 de Maio de 1888, do Palácio da Presidência da Província de Minas Gerais, notifica a abolição do trabalho escravo no Brasil, cabe salientar que essa deliberação ocorreu tardiamente, quando o Brasil estava prestes à se tornar uma República. Atualmente, evidências indicam que entraremos em um grande retrocesso histórico com as Reformas Trabalhistas que vêm sendo propostas, em breve, independente da cor ou ofício, o povo brasileiro estará exposto a um regime que beneficiará apenas o capital.









Referências:
 Lei 2040/1871

Lei 5135 /1872


Lei no. 3310/1886


Louzada Cátia.Fundo de emancipação e famílias escravas:o município Neutro na lei de 1871.


Postagem e Revisão:

Helenice de Oliveira e Polyana Oliveira

segunda-feira, 10 de abril de 2017

A Semana Santa de Ouro Preto - Registros de uma Tradição


Tapete devocional confeccionado em 2004

Esta semana a cidade de Ouro Preto se veste para as Celebrações da Semana Santa, cujos rituais, ao contrário de outras cidades, iniciam-se na Sexta Feira de carnaval, com o tradicional Setenário das Dores, na Basílica de nossa Senhora do Pilar, se estendendo por Sete sextas tendo seu termino na sexta feira que antecede o Domingo de Ramos, que em Ouro Preto também é o Domingo do Encontro, culminando com o Domingo da Ressurreição.

Divulgação da programação da Semana Santa de 1982 no Jornal Gazeta Ouropretana 


  É possível notar-se através das fontes do Arquivo Público, que estas tradições se mantêm e são ressignificadas a cada ano pela participação do povo. A preparação das celebrações envolve toda a cidade, Ordens III, Irmandades, figurantes, zeladores, corais, sineiros, anjinhos e fieis. É o período em que a uma noção de pertencimento é revelada em cada raminho retirado dos andores, cada troca de olhares entre as imagens do Cristo sofredor com a Mãe das Dores, que não se encerra por aí, afinal, ainda há muito trabalho a ser feito para o embelezamento do trajeto da procissão da ressurreição, com suas cores e sons festivos, além da doçura proporcionada ao fim, com a distribuição das balinhas de amêndoas.


Procissão da Ressurreição de 2002 
Abaixo, apresentamos uma série de recibos dos gastos da Irmandade do Senhor Bom Jesus dos Passos, no ano de 1868. Os recibos se referem ao pagamento de obras nos Passos, além de pagamento pela feitura das tradicionais amêndoas, que são distribuídas aos participantes das procissões até nossos dias. Nos recibos, é possível também observar que além das capelinhas permanentes, eram também construídos altares provisórios. 

Recibo (N28)
   

Recebi do Snr. José da Costa Braga procurador da Irmandade do Sr. Bom Jesus dos Passos a quantia de quatro mil cento e quarenta (4:140) R$ do concerto que fiz no Passo da Ponte seca, sendo meu trabalho e aviamentos por verdade passo o presente em o qual me assino.
Ouro Preto, 1 de Março de 1868.
Camillo de Lelles Silva.

Recibo (N8)

Recebi do Snr. José da Costa Braga Procurador da Irmandade do Senhor do Bom Jesus dos Passos a quantia de quatro mil reis de dois passos que me mandou armar para a procissão do mesmo Bom Jesus e por ter recebido passo este.
Ouro Preto 31 de Março de 1868.
Francisco de Paula Camillo.

Recibo (N6)

Recebi do Snr. Francisco de Assis Tesoureiro da Irmandade do Senhor Bom Jesus dos Passos a quantia de cinquenta e cinco mil reis (55:000) de quatro arrobas e quatro libras de amêndoas, que fiz e por ter recebido passo este e assino.
Ouro Preto 5 de abril de 1868.
Carlota Ferreira da Araujo.




Fontes:
Documentos Comprobatórios de Receita e Despesa  1800-1879 .
Jornal Gazeta Ouroprenata 24 de Março de 1982



Postagem e Revisão:

Helenice de Oliveira e Polyana Oliveira

A Semana Santa de Ouro Preto - Registros de uma Tradição


Tapete devocional confeccionado em 2004

Esta semana a cidade de Ouro Preto se veste para as Celebrações da Semana Santa, cujos rituais, ao contrário de outras cidades, iniciam-se na Sexta Feira de carnaval, com o tradicional Setenário das Dores, na Basílica de nossa Senhora do Pilar, se estendendo por Sete sextas tendo seu termino na sexta feira que antecede o Domingo de Ramos, que em Ouro Preto também é o Domingo do Encontro, culminando com o Domingo da Ressurreição.

Divulgação da programação da Semana Santa de 1982 no Jornal Gazeta Ouropretana 


  É possível notar-se através das fontes do Arquivo Público, que estas tradições se mantêm e são ressignificadas a cada ano pela participação do povo. A preparação das celebrações envolve toda a cidade, Ordens III, Irmandades, figurantes, zeladores, corais, sineiros, anjinhos e fieis. É o período em que a uma noção de pertencimento é revelada em cada raminho retirado dos andores, cada troca de olhares entre as imagens do Cristo sofredor com a Mãe das Dores, que não se encerra por aí, afinal, ainda há muito trabalho a ser feito para o embelezamento do trajeto da procissão da ressurreição, com suas cores e sons festivos, além da doçura proporcionada ao fim, com a distribuição das balinhas de amêndoas.


Procissão da Ressurreição de 2002 
Abaixo, apresentamos uma série de recibos dos gastos da Irmandade do Senhor Bom Jesus dos Passos, no ano de 1868. Os recibos se referem ao pagamento de obras nos Passos, além de pagamento pela feitura das tradicionais amêndoas, que são distribuídas aos participantes das procissões até nossos dias. Nos recibos, é possível também observar que além das capelinhas permanentes, eram também construídos altares provisórios. 

Recibo (N28)
   

Recebi do Snr. José da Costa Braga procurador da Irmandade do Sr. Bom Jesus dos Passos a quantia de quatro mil cento e quarenta (4:140) R$ do concerto que fiz no Passo da Ponte seca, sendo meu trabalho e aviamentos por verdade passo o presente em o qual me assino.
Ouro Preto, 1 de Março de 1868.
Camillo de Lelles Silva.

Recibo (N8)

Recebi do Snr. José da Costa Braga Procurador da Irmandade do Senhor do Bom Jesus dos Passos a quantia de quatro mil reis de dois passos que me mandou armar para a procissão do mesmo Bom Jesus e por ter recebido passo este.
Ouro Preto 31 de Março de 1868.
Francisco de Paula Camillo.

Recibo (N6)

Recebi do Snr. Francisco de Assis Tesoureiro da Irmandade do Senhor Bom Jesus dos Passos a quantia de cinquenta e cinco mil reis (55:000) de quatro arrobas e quatro libras de amêndoas, que fiz e por ter recebido passo este e assino.
Ouro Preto 5 de abril de 1868.
Carlota Ferreira da Araujo.




Fontes:
Documentos Comprobatórios de Receita e Despesa  1800-1879 .
Jornal Gazeta Ouroprenata 24 de Março de 1982



Postagem e Revisão:

Helenice de Oliveira e Polyana Oliveira

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Clube dos Lacaios : O Zé Pereira de Ouro Preto – 150 anos de Tradições Carnavalescas


Folder do Carnaval de Ouro Preto de 2013, Ilustração de Afonso Penna

“Na noite alta de Ouro Preto, o eco redobrou o batecum das caixas e bombos. Foi-se acentuando, foi se aproximando e se precisou. Toque seco, cadenciado regular...“(Almeida, Renato. Diário de Pernambuco 23/02/1958). A descrição feita pelo folclorista Renato Almeida nos apresenta um panorama de como esta tradição foi se mantendo ao logo de todos estes anos: O Clube dos Lacaios se apresentava com um estandarte , carregado por um jovem vestido com casaca de cor e grandes botões e cartola, na entrada os clarins tocavam a marcha Aída do compositor italiano Verdi. Faziam ainda parte do cortejo um catitão, a baiana, além de vários mascarados, uma grande ave, cabeçorras e os cariás. O grupos de instrumentos era formado por 5 clarins, 18 caixas, 2 bumbos, 2 pratos, e 3 taróis. Três ritmos diferentes eram tocados: um para subir as ladeiras ou para descer e um terceiro para o desfile em linha reta.
Neste ano de 2017,  a mais antiga agremiação carnavalesca do Brasil comemora seu jubileu de 150 anos, notadamente a cidade de Ouro abre alas para estas comemorações. 
Reconhecimento do Prefeito Washington de Araújo Dias pelo
resgate da tradição dos Zé Pereira em 1938
Esta postagem permite-nos visitar os carnavais antigos, apesar do jornal não registrar a presença dos Lacaios em 1923, visto que, durante sua caminha sofre percalços e interrupções momentâneas, quer por problemas financeiros ou devido à eclosão da II Guerra Mundial, contudo, seus membros conseguiram, de renascimento em renascimento trazer o Zé Pereira do Clube dos Lacaios aos nossos dias, tornando-a a mais tradicional e característica agremiação do nosso carnaval.
O Jornal "O Ouro Preto" do dia 11 de fevereiro de 1923 publicou um  artigo  assinado por E. Pequeno com o título “No Carnaval” que retrata de maneira bem poética o antigo carnaval e particularmente a figura do Pierrot, um personagem carnavalesco, mas que traz em si uma tristeza melancólica.


A descrição do ambiente da cidade pode ser percebida e em boa medida sentida no artigo “Carnaval”, retirado do jornal “O Momo triunphando”. Nele é descrito o ambiente em que se transforma a cidade durante estes dias festivos: “As sacadas e as varandas das casas que circundam a Praça regurgitavam de pessoas, em cujos semblantes se lia bem a mesma impressão de alegria e de enthusiasmo.” Na década de 1920,  o   desfile do corço e o grupos de foliões mascarados da  tônica à folia.
Na narrativa do Jornal Ouro Preto do dia 18 de fevereiro de 1923 “Últimos Ecos do Carnaval”, é possível notar como o reinado de Momo causava um efervescer na cidade. Para as crianças existia a organização do “grupo de Folia Infantil”, cuja parte musical ficava a cargo da “Banda do 4º Batalhão de Caçadores”, e o grupo “Carnavalesco Infantil de Antônio Dias e seu Zé Pereirinha” com cornetas, tambores, caixas e chocalhos, seguido do estandarte e um carro alegórico. Havia ainda outros grupos destinados à folia infantil:  “A infância, a Mocidade e Velhice” que vinha acompanhada de orquestra  com predominância do violino, o grupo dos "Cutubinhas”, o grupo dos “Morcegos”, “O Casamento na Roça” e  “O Baptizado do Furquinha” que usavam trajes com referência aos trabalhadores do campo. O grupo da “Borboletinhas “ e dos “Coatis” .

Já a população adulta era contemplada com a realização grandes bailes com desfiles de fantasias, destacando-se o do Centro acadêmico da Escola de Minas e as apresentações de agremiações carnavalescas como “Os Batutas”, tendo a frente seu corpo de Clarins seguido de um grupo de cavaleiros e carro alegórico.



E viva o Carnaval de Ouro Preto!!!!




Referência:
ALMEIDA, Renato.  Zé Pereira de Ouro Preto retirado do Diário de Pernambuco edição 00042 de 23/02/1958 Acessível em : hemeroteca digital da Biblioteca Nacional, presente em: http://bndigital.bn.gov.br/hemeroteca-digital/
Jornal O Ouro Preto, 11 e 18 de Fevereiro de 1923.
Jornal Mineiro, 1 de Março de 1900.
Correspondências de 1938/1939 do fundo PMOP,  Arquivo Público Municipal de Ouro Preto.


Postagem e Revisão: Helenice Oliveira (Historiadora) e Polyana Oliveira (Arquivista)




Clube dos Lacaios : O Zé Pereira de Ouro Preto – 150 anos de Tradições Carnavalescas


Folder do Carnaval de Ouro Preto de 2013, Ilustração de Afonso Penna

“Na noite alta de Ouro Preto, o eco redobrou o batecum das caixas e bombos. Foi-se acentuando, foi se aproximando e se precisou. Toque seco, cadenciado regular...“(Almeida, Renato. Diário de Pernambuco 23/02/1958). A descrição feita pelo folclorista Renato Almeida nos apresenta um panorama de como esta tradição foi se mantendo ao logo de todos estes anos: O Clube dos Lacaios se apresentava com um estandarte , carregado por um jovem vestido com casaca de cor e grandes botões e cartola, na entrada os clarins tocavam a marcha Aída do compositor italiano Verdi. Faziam ainda parte do cortejo um catitão, a baiana, além de vários mascarados, uma grande ave, cabeçorras e os cariás. O grupos de instrumentos era formado por 5 clarins, 18 caixas, 2 bumbos, 2 pratos, e 3 taróis. Três ritmos diferentes eram tocados: um para subir as ladeiras ou para descer e um terceiro para o desfile em linha reta.
Neste ano de 2017,  a mais antiga agremiação carnavalesca do Brasil comemora seu jubileu de 150 anos, notadamente a cidade de Ouro abre alas para estas comemorações. 
Reconhecimento do Prefeito Washington de Araújo Dias pelo
resgate da tradição dos Zé Pereira em 1938
Esta postagem permite-nos visitar os carnavais antigos, apesar do jornal não registrar a presença dos Lacaios em 1923, visto que, durante sua caminha sofre percalços e interrupções momentâneas, quer por problemas financeiros ou devido à eclosão da II Guerra Mundial, contudo, seus membros conseguiram, de renascimento em renascimento trazer o Zé Pereira do Clube dos Lacaios aos nossos dias, tornando-a a mais tradicional e característica agremiação do nosso carnaval.
O Jornal "O Ouro Preto" do dia 11 de fevereiro de 1923 publicou um  artigo  assinado por E. Pequeno com o título “No Carnaval” que retrata de maneira bem poética o antigo carnaval e particularmente a figura do Pierrot, um personagem carnavalesco, mas que traz em si uma tristeza melancólica.


A descrição do ambiente da cidade pode ser percebida e em boa medida sentida no artigo “Carnaval”, retirado do jornal “O Momo triunphando”. Nele é descrito o ambiente em que se transforma a cidade durante estes dias festivos: “As sacadas e as varandas das casas que circundam a Praça regurgitavam de pessoas, em cujos semblantes se lia bem a mesma impressão de alegria e de enthusiasmo.” Na década de 1920,  o   desfile do corço e o grupos de foliões mascarados da  tônica à folia.
Na narrativa do Jornal Ouro Preto do dia 18 de fevereiro de 1923 “Últimos Ecos do Carnaval”, é possível notar como o reinado de Momo causava um efervescer na cidade. Para as crianças existia a organização do “grupo de Folia Infantil”, cuja parte musical ficava a cargo da “Banda do 4º Batalhão de Caçadores”, e o grupo “Carnavalesco Infantil de Antônio Dias e seu Zé Pereirinha” com cornetas, tambores, caixas e chocalhos, seguido do estandarte e um carro alegórico. Havia ainda outros grupos destinados à folia infantil:  “A infância, a Mocidade e Velhice” que vinha acompanhada de orquestra  com predominância do violino, o grupo dos "Cutubinhas”, o grupo dos “Morcegos”, “O Casamento na Roça” e  “O Baptizado do Furquinha” que usavam trajes com referência aos trabalhadores do campo. O grupo da “Borboletinhas “ e dos “Coatis” .

Já a população adulta era contemplada com a realização grandes bailes com desfiles de fantasias, destacando-se o do Centro acadêmico da Escola de Minas e as apresentações de agremiações carnavalescas como “Os Batutas”, tendo a frente seu corpo de Clarins seguido de um grupo de cavaleiros e carro alegórico.



E viva o Carnaval de Ouro Preto!!!!




Referência:
ALMEIDA, Renato.  Zé Pereira de Ouro Preto retirado do Diário de Pernambuco edição 00042 de 23/02/1958 Acessível em : hemeroteca digital da Biblioteca Nacional, presente em: http://bndigital.bn.gov.br/hemeroteca-digital/
Jornal O Ouro Preto, 11 e 18 de Fevereiro de 1923.
Jornal Mineiro, 1 de Março de 1900.
Correspondências de 1938/1939 do fundo PMOP,  Arquivo Público Municipal de Ouro Preto.


Postagem e Revisão: Helenice Oliveira (Historiadora) e Polyana Oliveira (Arquivista)