segunda-feira, 10 de abril de 2017

A Semana Santa de Ouro Preto - Registros de uma Tradição


Tapete devocional confeccionado em 2004

Esta semana a cidade de Ouro Preto se veste para as Celebrações da Semana Santa, cujos rituais, ao contrário de outras cidades, iniciam-se na Sexta Feira de carnaval, com o tradicional Setenário das Dores, na Basílica de nossa Senhora do Pilar, se estendendo por Sete sextas tendo seu termino na sexta feira que antecede o Domingo de Ramos, que em Ouro Preto também é o Domingo do Encontro, culminando com o Domingo da Ressurreição.

Divulgação da programação da Semana Santa de 1982 no Jornal Gazeta Ouropretana 


  É possível notar-se através das fontes do Arquivo Público, que estas tradições se mantêm e são ressignificadas a cada ano pela participação do povo. A preparação das celebrações envolve toda a cidade, Ordens III, Irmandades, figurantes, zeladores, corais, sineiros, anjinhos e fieis. É o período em que a uma noção de pertencimento é revelada em cada raminho retirado dos andores, cada troca de olhares entre as imagens do Cristo sofredor com a Mãe das Dores, que não se encerra por aí, afinal, ainda há muito trabalho a ser feito para o embelezamento do trajeto da procissão da ressurreição, com suas cores e sons festivos, além da doçura proporcionada ao fim, com a distribuição das balinhas de amêndoas.


Procissão da Ressurreição de 2002 
Abaixo, apresentamos uma série de recibos dos gastos da Irmandade do Senhor Bom Jesus dos Passos, no ano de 1868. Os recibos se referem ao pagamento de obras nos Passos, além de pagamento pela feitura das tradicionais amêndoas, que são distribuídas aos participantes das procissões até nossos dias. Nos recibos, é possível também observar que além das capelinhas permanentes, eram também construídos altares provisórios. 

Recibo (N28)
   

Recebi do Snr. José da Costa Braga procurador da Irmandade do Sr. Bom Jesus dos Passos a quantia de quatro mil cento e quarenta (4:140) R$ do concerto que fiz no Passo da Ponte seca, sendo meu trabalho e aviamentos por verdade passo o presente em o qual me assino.
Ouro Preto, 1 de Março de 1868.
Camillo de Lelles Silva.

Recibo (N8)

Recebi do Snr. José da Costa Braga Procurador da Irmandade do Senhor do Bom Jesus dos Passos a quantia de quatro mil reis de dois passos que me mandou armar para a procissão do mesmo Bom Jesus e por ter recebido passo este.
Ouro Preto 31 de Março de 1868.
Francisco de Paula Camillo.

Recibo (N6)

Recebi do Snr. Francisco de Assis Tesoureiro da Irmandade do Senhor Bom Jesus dos Passos a quantia de cinquenta e cinco mil reis (55:000) de quatro arrobas e quatro libras de amêndoas, que fiz e por ter recebido passo este e assino.
Ouro Preto 5 de abril de 1868.
Carlota Ferreira da Araujo.




Fontes:
Documentos Comprobatórios de Receita e Despesa  1800-1879 .
Jornal Gazeta Ouroprenata 24 de Março de 1982



Postagem e Revisão:

Helenice de Oliveira e Polyana Oliveira

A Semana Santa de Ouro Preto - Registros de uma Tradição


Tapete devocional confeccionado em 2004

Esta semana a cidade de Ouro Preto se veste para as Celebrações da Semana Santa, cujos rituais, ao contrário de outras cidades, iniciam-se na Sexta Feira de carnaval, com o tradicional Setenário das Dores, na Basílica de nossa Senhora do Pilar, se estendendo por Sete sextas tendo seu termino na sexta feira que antecede o Domingo de Ramos, que em Ouro Preto também é o Domingo do Encontro, culminando com o Domingo da Ressurreição.

Divulgação da programação da Semana Santa de 1982 no Jornal Gazeta Ouropretana 


  É possível notar-se através das fontes do Arquivo Público, que estas tradições se mantêm e são ressignificadas a cada ano pela participação do povo. A preparação das celebrações envolve toda a cidade, Ordens III, Irmandades, figurantes, zeladores, corais, sineiros, anjinhos e fieis. É o período em que a uma noção de pertencimento é revelada em cada raminho retirado dos andores, cada troca de olhares entre as imagens do Cristo sofredor com a Mãe das Dores, que não se encerra por aí, afinal, ainda há muito trabalho a ser feito para o embelezamento do trajeto da procissão da ressurreição, com suas cores e sons festivos, além da doçura proporcionada ao fim, com a distribuição das balinhas de amêndoas.


Procissão da Ressurreição de 2002 
Abaixo, apresentamos uma série de recibos dos gastos da Irmandade do Senhor Bom Jesus dos Passos, no ano de 1868. Os recibos se referem ao pagamento de obras nos Passos, além de pagamento pela feitura das tradicionais amêndoas, que são distribuídas aos participantes das procissões até nossos dias. Nos recibos, é possível também observar que além das capelinhas permanentes, eram também construídos altares provisórios. 

Recibo (N28)
   

Recebi do Snr. José da Costa Braga procurador da Irmandade do Sr. Bom Jesus dos Passos a quantia de quatro mil cento e quarenta (4:140) R$ do concerto que fiz no Passo da Ponte seca, sendo meu trabalho e aviamentos por verdade passo o presente em o qual me assino.
Ouro Preto, 1 de Março de 1868.
Camillo de Lelles Silva.

Recibo (N8)

Recebi do Snr. José da Costa Braga Procurador da Irmandade do Senhor do Bom Jesus dos Passos a quantia de quatro mil reis de dois passos que me mandou armar para a procissão do mesmo Bom Jesus e por ter recebido passo este.
Ouro Preto 31 de Março de 1868.
Francisco de Paula Camillo.

Recibo (N6)

Recebi do Snr. Francisco de Assis Tesoureiro da Irmandade do Senhor Bom Jesus dos Passos a quantia de cinquenta e cinco mil reis (55:000) de quatro arrobas e quatro libras de amêndoas, que fiz e por ter recebido passo este e assino.
Ouro Preto 5 de abril de 1868.
Carlota Ferreira da Araujo.




Fontes:
Documentos Comprobatórios de Receita e Despesa  1800-1879 .
Jornal Gazeta Ouroprenata 24 de Março de 1982



Postagem e Revisão:

Helenice de Oliveira e Polyana Oliveira

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Clube dos Lacaios : O Zé Pereira de Ouro Preto – 150 anos de Tradições Carnavalescas


Folder do Carnaval de Ouro Preto de 2013, Ilustração de Afonso Penna

“Na noite alta de Ouro Preto, o eco redobrou o batecum das caixas e bombos. Foi-se acentuando, foi se aproximando e se precisou. Toque seco, cadenciado regular...“(Almeida, Renato. Diário de Pernambuco 23/02/1958). A descrição feita pelo folclorista Renato Almeida nos apresenta um panorama de como esta tradição foi se mantendo ao logo de todos estes anos: O Clube dos Lacaios se apresentava com um estandarte , carregado por um jovem vestido com casaca de cor e grandes botões e cartola, na entrada os clarins tocavam a marcha Aída do compositor italiano Verdi. Faziam ainda parte do cortejo um catitão, a baiana, além de vários mascarados, uma grande ave, cabeçorras e os cariás. O grupos de instrumentos era formado por 5 clarins, 18 caixas, 2 bumbos, 2 pratos, e 3 taróis. Três ritmos diferentes eram tocados: um para subir as ladeiras ou para descer e um terceiro para o desfile em linha reta.
Neste ano de 2017,  a mais antiga agremiação carnavalesca do Brasil comemora seu jubileu de 150 anos, notadamente a cidade de Ouro abre alas para estas comemorações. 
Reconhecimento do Prefeito Washington de Araújo Dias pelo
resgate da tradição dos Zé Pereira em 1938
Esta postagem permite-nos visitar os carnavais antigos, apesar do jornal não registrar a presença dos Lacaios em 1923, visto que, durante sua caminha sofre percalços e interrupções momentâneas, quer por problemas financeiros ou devido à eclosão da II Guerra Mundial, contudo, seus membros conseguiram, de renascimento em renascimento trazer o Zé Pereira do Clube dos Lacaios aos nossos dias, tornando-a a mais tradicional e característica agremiação do nosso carnaval.
O Jornal "O Ouro Preto" do dia 11 de fevereiro de 1923 publicou um  artigo  assinado por E. Pequeno com o título “No Carnaval” que retrata de maneira bem poética o antigo carnaval e particularmente a figura do Pierrot, um personagem carnavalesco, mas que traz em si uma tristeza melancólica.


A descrição do ambiente da cidade pode ser percebida e em boa medida sentida no artigo “Carnaval”, retirado do jornal “O Momo triunphando”. Nele é descrito o ambiente em que se transforma a cidade durante estes dias festivos: “As sacadas e as varandas das casas que circundam a Praça regurgitavam de pessoas, em cujos semblantes se lia bem a mesma impressão de alegria e de enthusiasmo.” Na década de 1920,  o   desfile do corço e o grupos de foliões mascarados da  tônica à folia.
Na narrativa do Jornal Ouro Preto do dia 18 de fevereiro de 1923 “Últimos Ecos do Carnaval”, é possível notar como o reinado de Momo causava um efervescer na cidade. Para as crianças existia a organização do “grupo de Folia Infantil”, cuja parte musical ficava a cargo da “Banda do 4º Batalhão de Caçadores”, e o grupo “Carnavalesco Infantil de Antônio Dias e seu Zé Pereirinha” com cornetas, tambores, caixas e chocalhos, seguido do estandarte e um carro alegórico. Havia ainda outros grupos destinados à folia infantil:  “A infância, a Mocidade e Velhice” que vinha acompanhada de orquestra  com predominância do violino, o grupo dos "Cutubinhas”, o grupo dos “Morcegos”, “O Casamento na Roça” e  “O Baptizado do Furquinha” que usavam trajes com referência aos trabalhadores do campo. O grupo da “Borboletinhas “ e dos “Coatis” .

Já a população adulta era contemplada com a realização grandes bailes com desfiles de fantasias, destacando-se o do Centro acadêmico da Escola de Minas e as apresentações de agremiações carnavalescas como “Os Batutas”, tendo a frente seu corpo de Clarins seguido de um grupo de cavaleiros e carro alegórico.



E viva o Carnaval de Ouro Preto!!!!




Referência:
ALMEIDA, Renato.  Zé Pereira de Ouro Preto retirado do Diário de Pernambuco edição 00042 de 23/02/1958 Acessível em : hemeroteca digital da Biblioteca Nacional, presente em: http://bndigital.bn.gov.br/hemeroteca-digital/
Jornal O Ouro Preto, 11 e 18 de Fevereiro de 1923.
Jornal Mineiro, 1 de Março de 1900.
Correspondências de 1938/1939 do fundo PMOP,  Arquivo Público Municipal de Ouro Preto.


Postagem e Revisão: Helenice Oliveira (Historiadora) e Polyana Oliveira (Arquivista)




Clube dos Lacaios : O Zé Pereira de Ouro Preto – 150 anos de Tradições Carnavalescas


Folder do Carnaval de Ouro Preto de 2013, Ilustração de Afonso Penna

“Na noite alta de Ouro Preto, o eco redobrou o batecum das caixas e bombos. Foi-se acentuando, foi se aproximando e se precisou. Toque seco, cadenciado regular...“(Almeida, Renato. Diário de Pernambuco 23/02/1958). A descrição feita pelo folclorista Renato Almeida nos apresenta um panorama de como esta tradição foi se mantendo ao logo de todos estes anos: O Clube dos Lacaios se apresentava com um estandarte , carregado por um jovem vestido com casaca de cor e grandes botões e cartola, na entrada os clarins tocavam a marcha Aída do compositor italiano Verdi. Faziam ainda parte do cortejo um catitão, a baiana, além de vários mascarados, uma grande ave, cabeçorras e os cariás. O grupos de instrumentos era formado por 5 clarins, 18 caixas, 2 bumbos, 2 pratos, e 3 taróis. Três ritmos diferentes eram tocados: um para subir as ladeiras ou para descer e um terceiro para o desfile em linha reta.
Neste ano de 2017,  a mais antiga agremiação carnavalesca do Brasil comemora seu jubileu de 150 anos, notadamente a cidade de Ouro abre alas para estas comemorações. 
Reconhecimento do Prefeito Washington de Araújo Dias pelo
resgate da tradição dos Zé Pereira em 1938
Esta postagem permite-nos visitar os carnavais antigos, apesar do jornal não registrar a presença dos Lacaios em 1923, visto que, durante sua caminha sofre percalços e interrupções momentâneas, quer por problemas financeiros ou devido à eclosão da II Guerra Mundial, contudo, seus membros conseguiram, de renascimento em renascimento trazer o Zé Pereira do Clube dos Lacaios aos nossos dias, tornando-a a mais tradicional e característica agremiação do nosso carnaval.
O Jornal "O Ouro Preto" do dia 11 de fevereiro de 1923 publicou um  artigo  assinado por E. Pequeno com o título “No Carnaval” que retrata de maneira bem poética o antigo carnaval e particularmente a figura do Pierrot, um personagem carnavalesco, mas que traz em si uma tristeza melancólica.


A descrição do ambiente da cidade pode ser percebida e em boa medida sentida no artigo “Carnaval”, retirado do jornal “O Momo triunphando”. Nele é descrito o ambiente em que se transforma a cidade durante estes dias festivos: “As sacadas e as varandas das casas que circundam a Praça regurgitavam de pessoas, em cujos semblantes se lia bem a mesma impressão de alegria e de enthusiasmo.” Na década de 1920,  o   desfile do corço e o grupos de foliões mascarados da  tônica à folia.
Na narrativa do Jornal Ouro Preto do dia 18 de fevereiro de 1923 “Últimos Ecos do Carnaval”, é possível notar como o reinado de Momo causava um efervescer na cidade. Para as crianças existia a organização do “grupo de Folia Infantil”, cuja parte musical ficava a cargo da “Banda do 4º Batalhão de Caçadores”, e o grupo “Carnavalesco Infantil de Antônio Dias e seu Zé Pereirinha” com cornetas, tambores, caixas e chocalhos, seguido do estandarte e um carro alegórico. Havia ainda outros grupos destinados à folia infantil:  “A infância, a Mocidade e Velhice” que vinha acompanhada de orquestra  com predominância do violino, o grupo dos "Cutubinhas”, o grupo dos “Morcegos”, “O Casamento na Roça” e  “O Baptizado do Furquinha” que usavam trajes com referência aos trabalhadores do campo. O grupo da “Borboletinhas “ e dos “Coatis” .

Já a população adulta era contemplada com a realização grandes bailes com desfiles de fantasias, destacando-se o do Centro acadêmico da Escola de Minas e as apresentações de agremiações carnavalescas como “Os Batutas”, tendo a frente seu corpo de Clarins seguido de um grupo de cavaleiros e carro alegórico.



E viva o Carnaval de Ouro Preto!!!!




Referência:
ALMEIDA, Renato.  Zé Pereira de Ouro Preto retirado do Diário de Pernambuco edição 00042 de 23/02/1958 Acessível em : hemeroteca digital da Biblioteca Nacional, presente em: http://bndigital.bn.gov.br/hemeroteca-digital/
Jornal O Ouro Preto, 11 e 18 de Fevereiro de 1923.
Jornal Mineiro, 1 de Março de 1900.
Correspondências de 1938/1939 do fundo PMOP,  Arquivo Público Municipal de Ouro Preto.


Postagem e Revisão: Helenice Oliveira (Historiadora) e Polyana Oliveira (Arquivista)




terça-feira, 10 de janeiro de 2017

A Imperial Cidade de Ouro Preto e os Ritos de Posse na Primeira República





Termo de Juramento e Posse do Governador Interino do Estado de Minas Gerais, quando da Proclamação da República em 15 de Novembro de 1889. Seguindo o rito do Império, o governado interino prestou Juramento no Passo da Câmara Municipal de Capital de Minas Gerias - Ouro Preto.




Aos dezoito dias do mês de novembro de mil oitocentos e oitenta e nove, reunidos em sessão extraordinária, no paço municipal, a respectiva Câmara, foi lido o ofício da mesma data, em que o ilustríssimo cidadão Doutor Antônio Olyntho dos Santos Pires comunicou-lhe haver na véspera assumido o exercício de governador interino deste Estado, por nomeação conferida pelo governador provisório da República Federativa Brasileira, pelo que deliberou a mesma Câmara convidá-lo a vir prestar perante ela o seu Juramento. Pouco depois, comparecendo o mesmo ilustre cidadão proferiu sobre o livro dos Santos Evangelhos o Juramento de teor seguinte: Juro promover e desenvolver o progresso do Estado, respeitar em todas as circunstancias a liberdade e reconhecer sempre os direitos e a soberania do povo. E para constar lavrou-se este Termo.[1]





A Intendência Municipal foi o órgão criado depois da proclamação da Republica, eles eram responsáveis para administração municipal da Capital, seus membros foram nomeados pelo governo interino, tendo permanecido na condução do poder municipal até o final de abril de 1892, quando da instalação da Primeira 1ª Câmara Republicana eleita pelo voto . Foi Instalada em 7 de Março de 1892. Neste mesmo ato tomam posse os Juízes de Paz e os Conselheiros Distritais também eleitos no mesmo pleito.





Ata da Instalação da Câmara Municipal de Ouro Preto.

Aos sete dias do mês de março de mil oitocentos e noventa e dois, à uma hora da tarde, voltando de assistir na Igreja Matriz de Ouro Preto à missa votiva do Espírito Santo, acham reunidos no paço municipal os senhores – presidente e agente executivo Dr. Diogo Luiz de Almeida Pereira de Vasconcelos, vereadores Eduardo José Barbosa, Dr. José Serrano Moreira da Silva, Randoplo José Ferreira Bretas, Antônio José Netto, Pedro de Alcântara Feu de Carvalho, Dr. Gabriel de Oliveira Santos, Francisco de Assis Soares de Magalhães, Padre Camillo Lellis Ferreira Velloso, Manoel Alves de Oliveira Catão, Raymundo Caetano Barbosa de Oliveira, Claudionor Joaquim de Oliveira Quites, João Jacintho Gomes Carmo, Dr. Bernardo Pinto Monteiro-, todos os quais tomam os respectivos lugares, nomeando o senhor Presidente uma comissão para receber à entrada do edifício excelentíssimo Senhor Presidente do Estado.  Sendo introduzido no recinto, com as formalidades do estylo, o excelentíssimo Senhor Dr. Edmundo Ernesto da Gama Cerqueira, ocupa sua excelência o primeiro lugar na mesa, tendo aos lados os senhores presidente da Câmara e da Intendência, que hoje termina seu exercício. Sobre o livro dos Santos Evangelhos prestam então o juramento, cada um a seu turno, o senhor presidente e agente executivo e os senhores vereadores acima mencionados. Findo este ato solene, celebrado em presença de numeroso concurso de todas as classes sociais da cidade, levanta-se excelentíssimo Senhor presidente do Estado para exprimir o intimo jubilo que sente, assistindo à posse da Câmara da Capital. Congratula-se com todo o Estado pelo critério, prudência, moderação e regularidade com que se fizeram as recentes eleições distritais e municipais, por ventura as mais livres e espontâneas de quantas até então se haviam feito.  Tendo já externado os mesmos sentimentos no ato de clemência com que entendeu perpetuar a memória deste dia e que dentre em pouco será lido, manifesta os seus sinceros votos pela crescente prosperidade desta ilustre Capital, cujos importantes melhoramentos, indicados no relatório da administração transata, certamente reclamam o mais vivo interesse da nova Câmara; concluindo por erguer um brado de saudação à integridade do território mineiro-, brado que entusiástica e unanimemente é ecoado por todos os assistentes.  À sua excelência correspondente o senhor presidente da Câmara, fazendo a leitura do decreto de hoje, pelo qual receberam indulto vinte e três sentenciados em vários pontos do Estado. Acompanhado depois as honrosas manifestações do nobre presidente de Minas, à sua excelência em nome da Câmara e de todos os munícipes da Capital do Estado, agradece a gentileza de sua presença a este ato e longamente se detém na fiel rememoração do que tem sido o distinto civismo deste altivo e brioso povo ouro-pretano em todos os tempos, como no atual, em que sua excelência, como legítimo representante do poder público, nele encontra segura e inquebrantável, a mais constante e patriótica dedicação.  Secundando mais uma vez o brinde erguido à integridade inviolável do grande Estado Mineiro, convida os assistentes a acompanhá-lo na saudação que dirige ao digno presidente de Minas Gerais, terminando por apresentar-lhe, em nome daqueles que sua excelência neste dia restituiu à liberdade e à pátria, um quadro alusivo a tão generoso rasgo de clemência. No meio de ruidosas aclamações, retira-se o  excelentíssimo Senhor Presidente do Estado, com as mesmas formalidades com que fora recebido; seguindo-se o ato de juramento dos membros de conselhos distritais e os Juízes de Paz que concorreram a prestá-lo.  São eles: - Distrito de Ouro Preto. Conselheiros distritais – João Quintino dos Santos – Miguel Antônio Tregellas, Manoel Fiusa da Rocha Sobrinho. Juízes de Paz – Agostinho José Cabral  - Dr. Donato Joaquim da Fonseca – Dr. Horácio Andrade.  Distrito de Antônio Dias: Conselheiros distritais – José Pinheiro de Ulhoa Cintra – Francisco José dos Santos – José Augusto de Carvaljo Gama. Juízes de Paz – Antônio Ricardo dos Santos- Romualdo Antônio Carvalho Gama – Antônio Luiz Maria de Brito. Cachoeira do Campo . Conselheiros distritais – Joaquim Fernandes Ramos – Francisco José Pereira – Padre Theodolindo José Fagundes. Juízes de Paz (não compareceram) São José do Paraopeba. Conselheiros distritais – Antônio Fernandes da Gama -  Manoel Antônio Alves, Eugênio Rodrigues Logares. Juiz de Paz – Jacintho Gomes Carmo. São Caetano de Moeda. Conselheiros distritais – Antônio Peixoto França – Antônio José Nogueira, Antônio Felício Ferreira. Juízes de Paz – José Pereira do Carmo – Domingos Braga Junior – Francisco Alves Góes. Distrito de Antônio Pereira .Conselheiros distritais – Felício Joaquim de Queiroz – Olympio Joaquim de Queiroz – Fernando José Soares Moreira.  Juízes de Paz – Hemorgenes Joaquim de Queiroz .  Concluídos os trabalhos de hoje, o senhor presidente convida os senhores vereadores a comparecerem às cinco horas na Capela de São Francisco de Assis para ali assistirem a celebração do solene Te Deum Laudamos, que será entoado em ação de graças ao Todo Poderoso e depois no paço iluminado da Câmara para a recepção das pessoas que concorrerem; designando para ordem do dia de amanhã a eleição do vice-presidente, das comissões e o mais que ocorrer. Levanta-se a sessão às 3 horas. E para constar lavrou-se na presente ata que vai assinada pelo Presidente e vereadores presentes. Eu o Tenente Coronel Jacintho Dias Coelho secretário que o sub escrevi.
Diogo Luiz de Almeida Pereira de Vasconcellos.
João Jacintho Gomes Carmo.
Francisco de Assis Soares Magalhães
Pedro Feu
Claudionor Quites
Randolpho Bretas
Eduardo pereira Barbosa
Raymundo Barbosa
Manoel Catão
Dr. José Serrano Moreira da Silva
Padre Camillo Velloso
Bernardo Monteiro
Antônio José Neto





Referências:

  •  Livros de Juramento de Posse de Autoridades - Câmara Municipal da Imperial Cidade de Ouro de Preto -1881-1889  Registro 0813. Fls. 8 a 9v.
  •  Livro de Registro de atas (Resoluções) da Intendência e Câmara Municipal de Ouro Preto. 1890-1894 .Registro 0894. Fls.66-67
  • Vila Rica do Pilar- Um roteiro de Ouro Preto de Fritz Teixeira de Sales- Ilustrador Haroldo Mattos. Ilustrações página 53 e 71.

Postagem e Revisão: Helenice Oliveira (Historiadora) e Polyana Oliveira (Arquivista)






[1] Grifo nosso. Seguem abaixo assinaturas do Governador Interino do Estado de Minas  e demais presentes na Sessão.

A Imperial Cidade de Ouro Preto e os Ritos de Posse na Primeira República





Termo de Juramento e Posse do Governador Interino do Estado de Minas Gerais, quando da Proclamação da República em 15 de Novembro de 1889. Seguindo o rito do Império, o governado interino prestou Juramento no Passo da Câmara Municipal de Capital de Minas Gerias - Ouro Preto.




Aos dezoito dias do mês de novembro de mil oitocentos e oitenta e nove, reunidos em sessão extraordinária, no paço municipal, a respectiva Câmara, foi lido o ofício da mesma data, em que o ilustríssimo cidadão Doutor Antônio Olyntho dos Santos Pires comunicou-lhe haver na véspera assumido o exercício de governador interino deste Estado, por nomeação conferida pelo governador provisório da República Federativa Brasileira, pelo que deliberou a mesma Câmara convidá-lo a vir prestar perante ela o seu Juramento. Pouco depois, comparecendo o mesmo ilustre cidadão proferiu sobre o livro dos Santos Evangelhos o Juramento de teor seguinte: Juro promover e desenvolver o progresso do Estado, respeitar em todas as circunstancias a liberdade e reconhecer sempre os direitos e a soberania do povo. E para constar lavrou-se este Termo.[1]





A Intendência Municipal foi o órgão criado depois da proclamação da Republica, eles eram responsáveis para administração municipal da Capital, seus membros foram nomeados pelo governo interino, tendo permanecido na condução do poder municipal até o final de abril de 1892, quando da instalação da Primeira 1ª Câmara Republicana eleita pelo voto . Foi Instalada em 7 de Março de 1892. Neste mesmo ato tomam posse os Juízes de Paz e os Conselheiros Distritais também eleitos no mesmo pleito.





Ata da Instalação da Câmara Municipal de Ouro Preto.

Aos sete dias do mês de março de mil oitocentos e noventa e dois, à uma hora da tarde, voltando de assistir na Igreja Matriz de Ouro Preto à missa votiva do Espírito Santo, acham reunidos no paço municipal os senhores – presidente e agente executivo Dr. Diogo Luiz de Almeida Pereira de Vasconcelos, vereadores Eduardo José Barbosa, Dr. José Serrano Moreira da Silva, Randoplo José Ferreira Bretas, Antônio José Netto, Pedro de Alcântara Feu de Carvalho, Dr. Gabriel de Oliveira Santos, Francisco de Assis Soares de Magalhães, Padre Camillo Lellis Ferreira Velloso, Manoel Alves de Oliveira Catão, Raymundo Caetano Barbosa de Oliveira, Claudionor Joaquim de Oliveira Quites, João Jacintho Gomes Carmo, Dr. Bernardo Pinto Monteiro-, todos os quais tomam os respectivos lugares, nomeando o senhor Presidente uma comissão para receber à entrada do edifício excelentíssimo Senhor Presidente do Estado.  Sendo introduzido no recinto, com as formalidades do estylo, o excelentíssimo Senhor Dr. Edmundo Ernesto da Gama Cerqueira, ocupa sua excelência o primeiro lugar na mesa, tendo aos lados os senhores presidente da Câmara e da Intendência, que hoje termina seu exercício. Sobre o livro dos Santos Evangelhos prestam então o juramento, cada um a seu turno, o senhor presidente e agente executivo e os senhores vereadores acima mencionados. Findo este ato solene, celebrado em presença de numeroso concurso de todas as classes sociais da cidade, levanta-se excelentíssimo Senhor presidente do Estado para exprimir o intimo jubilo que sente, assistindo à posse da Câmara da Capital. Congratula-se com todo o Estado pelo critério, prudência, moderação e regularidade com que se fizeram as recentes eleições distritais e municipais, por ventura as mais livres e espontâneas de quantas até então se haviam feito.  Tendo já externado os mesmos sentimentos no ato de clemência com que entendeu perpetuar a memória deste dia e que dentre em pouco será lido, manifesta os seus sinceros votos pela crescente prosperidade desta ilustre Capital, cujos importantes melhoramentos, indicados no relatório da administração transata, certamente reclamam o mais vivo interesse da nova Câmara; concluindo por erguer um brado de saudação à integridade do território mineiro-, brado que entusiástica e unanimemente é ecoado por todos os assistentes.  À sua excelência correspondente o senhor presidente da Câmara, fazendo a leitura do decreto de hoje, pelo qual receberam indulto vinte e três sentenciados em vários pontos do Estado. Acompanhado depois as honrosas manifestações do nobre presidente de Minas, à sua excelência em nome da Câmara e de todos os munícipes da Capital do Estado, agradece a gentileza de sua presença a este ato e longamente se detém na fiel rememoração do que tem sido o distinto civismo deste altivo e brioso povo ouro-pretano em todos os tempos, como no atual, em que sua excelência, como legítimo representante do poder público, nele encontra segura e inquebrantável, a mais constante e patriótica dedicação.  Secundando mais uma vez o brinde erguido à integridade inviolável do grande Estado Mineiro, convida os assistentes a acompanhá-lo na saudação que dirige ao digno presidente de Minas Gerais, terminando por apresentar-lhe, em nome daqueles que sua excelência neste dia restituiu à liberdade e à pátria, um quadro alusivo a tão generoso rasgo de clemência. No meio de ruidosas aclamações, retira-se o  excelentíssimo Senhor Presidente do Estado, com as mesmas formalidades com que fora recebido; seguindo-se o ato de juramento dos membros de conselhos distritais e os Juízes de Paz que concorreram a prestá-lo.  São eles: - Distrito de Ouro Preto. Conselheiros distritais – João Quintino dos Santos – Miguel Antônio Tregellas, Manoel Fiusa da Rocha Sobrinho. Juízes de Paz – Agostinho José Cabral  - Dr. Donato Joaquim da Fonseca – Dr. Horácio Andrade.  Distrito de Antônio Dias: Conselheiros distritais – José Pinheiro de Ulhoa Cintra – Francisco José dos Santos – José Augusto de Carvaljo Gama. Juízes de Paz – Antônio Ricardo dos Santos- Romualdo Antônio Carvalho Gama – Antônio Luiz Maria de Brito. Cachoeira do Campo . Conselheiros distritais – Joaquim Fernandes Ramos – Francisco José Pereira – Padre Theodolindo José Fagundes. Juízes de Paz (não compareceram) São José do Paraopeba. Conselheiros distritais – Antônio Fernandes da Gama -  Manoel Antônio Alves, Eugênio Rodrigues Logares. Juiz de Paz – Jacintho Gomes Carmo. São Caetano de Moeda. Conselheiros distritais – Antônio Peixoto França – Antônio José Nogueira, Antônio Felício Ferreira. Juízes de Paz – José Pereira do Carmo – Domingos Braga Junior – Francisco Alves Góes. Distrito de Antônio Pereira .Conselheiros distritais – Felício Joaquim de Queiroz – Olympio Joaquim de Queiroz – Fernando José Soares Moreira.  Juízes de Paz – Hemorgenes Joaquim de Queiroz .  Concluídos os trabalhos de hoje, o senhor presidente convida os senhores vereadores a comparecerem às cinco horas na Capela de São Francisco de Assis para ali assistirem a celebração do solene Te Deum Laudamos, que será entoado em ação de graças ao Todo Poderoso e depois no paço iluminado da Câmara para a recepção das pessoas que concorrerem; designando para ordem do dia de amanhã a eleição do vice-presidente, das comissões e o mais que ocorrer. Levanta-se a sessão às 3 horas. E para constar lavrou-se na presente ata que vai assinada pelo Presidente e vereadores presentes. Eu o Tenente Coronel Jacintho Dias Coelho secretário que o sub escrevi.
Diogo Luiz de Almeida Pereira de Vasconcellos.
João Jacintho Gomes Carmo.
Francisco de Assis Soares Magalhães
Pedro Feu
Claudionor Quites
Randolpho Bretas
Eduardo pereira Barbosa
Raymundo Barbosa
Manoel Catão
Dr. José Serrano Moreira da Silva
Padre Camillo Velloso
Bernardo Monteiro
Antônio José Neto





Referências:

  •  Livros de Juramento de Posse de Autoridades - Câmara Municipal da Imperial Cidade de Ouro de Preto -1881-1889  Registro 0813. Fls. 8 a 9v.
  •  Livro de Registro de atas (Resoluções) da Intendência e Câmara Municipal de Ouro Preto. 1890-1894 .Registro 0894. Fls.66-67
  • Vila Rica do Pilar- Um roteiro de Ouro Preto de Fritz Teixeira de Sales- Ilustrador Haroldo Mattos. Ilustrações página 53 e 71.

Postagem e Revisão: Helenice Oliveira (Historiadora) e Polyana Oliveira (Arquivista)






[1] Grifo nosso. Seguem abaixo assinaturas do Governador Interino do Estado de Minas  e demais presentes na Sessão.

quarta-feira, 3 de fevereiro de 2016

Conhecendo o nosso Arquivo


 Segundo o historiador Le Goff, “A memória coletiva e a sua forma científica, a história, aplicam-se a dois tipos de materiais: os documentos e os monumentos”[1]. Sendo assim os Arquivos Públicos, podem e devem  ser  utilizados como ferramenta no ensino de história para a valorização e reconhecimento da cidade, é através do encontro entre os cidadãos do presente com o seu passado, contida  nos documentos textuais, iconográficos, fotográficos, que esta aproximação se dará de maneira natural. Para Pierre Nona, um Lugar de memória só se dá a partir da aproximação dos agentes de construção desta memória seja ela individual ou coletiva, neste sentido é necessário que estes lugares busquem de maneira mais efetiva esta aproximação:
Mesmo um lugar de aparência puramente material, como um depósito de arquivos, só é lugar de memória se a imaginação o investe de aura simbólica. Mesmo um lugar puramente funcional, como um manual de aula, um testamento, uma associação de antigos combatentes, só entra na categoria se for objeto de um ritual. Mesmo um minuto de silêncio, que parece o extremo de uma significação simbólica, é, ao mesmo tempo, um corte material de uma unidade temporal e serve, periodicamente, a um lembrete concentrado de lembrar. Os três aspectos coexistem sempre (...). É material por seu conteúdo demográfico; funcional por hipótese, pois garante ao mesmo tempo a cristalização da lembrança e sua transmissão; mas simbólica por definição visto que caracteriza por um acontecimento ou uma experiência vivida por pequeno número uma maioria que deles não participou.[2]
                 A proposta de elaboração de um roteiro de visita guiada ao Arquivo Público Municipal de Ouro Preto vem de certa maneira de encontro a este pensamento, no sentido de, tornar o ambiente, algumas vezes confundido como um espaço meramente administrativo, para um local aonde o cidadão vai ao encontro de sua cidade. O conhecimento e o reconhecimento dos fatos e pessoas, mais do que apenas personagens fictícios e distantes da vida real, podem ser descobertos e apreendidos através do acervo.
Para facilitar a compreensão de nossos visitantes, procuramos eleger cidadãos, cujos nomes estão registrados no APMOP, três cidadãos que têm suas vidas ligadas de maneira importante a cidade de Ouro Preto, são eles: O Poeta, Conjurado, Jurista – Tomás Antônio Gonzaga, O Jornalista, Político, Fundador do Arquivo Público Mineiro José Pedro Xavier da Veiga e o cidadão apaixonado por sua cidade,  Antônio Hermes Dias – o Tonico Jones ou  Zelador.




Primeiro Momento:
A de Casa Gonzaga:
Sede do Arquivo Público de Ouro Preto – Thomas Antônio Gonzaga

             Tomás Antônio Gonzaga possui destaque pelo seu envolvimento no importante movimento de conspiração que ocorreu nos anos de 1788 e 1789 que  não chegou de fato a se efetivar, intitulado por muitos historiadores como Inconfidência Mineira[3], sendo este episódio de grande importância para a constituição e construção dos “heróis da Nação Brasileira”. Outro motivo pelo qual trataremos da história deste conjurado é porque  o Arquivo Público está instalado na “Casa de Gonzaga”, imóvel onde viveu Tomás durante o tempo em que foi Ouvidor Geral e Corregedor de Vila Rica.  



Segundo Momento:
O Arquivo Público Municipal de Ouro Preto – Constituição de seu Acervo- José Pedro Xavier Da Veiga

             Escolhemos para este segundo momento: o fundador e primeiro diretor do Arquivo Público Mineiro, o historiador, político e pesquisador José Pedro Xavier da Veiga. Suas ações foram deste o recolhimento de fontes documentais espalhados por diversos órgãos do poder público até a cessão de um espaço físico, da parte térrea, de  sua residência, em Ouro Preto, para abrigar a primeira sede do Arquivo Público Mineiro - APM, mais tarde  Xavier da Veiga foi responsável pela  criação  da Revista do Arquivo Público, publicação responsável por dar visibilidade  em boa medida a história de Minas contida nos documentos oficiais .  
 A Família Xavier da Veiga doou ao APMOP parte do acervo pessoal de José Pedro, onde podem ser encontradas fotos da família e documentos sobre a atuação política, profissional e pessoal do fundador do APM, que em boa medida pode levar o visitante a uma aproximação maior de um importante cidadão, e sua preocupação com a proteção dos acervos documentais e as histórias que ele pode revelar.  




Terceiro Momento:
Patrimônio Documental – memória viva e construção de cidadania. Antônio Hermes Dias – Tonico Zelador
               Como terceira escolha, optamos por lançar luz ao trabalho de um personagem contemporâneo, que através de suas ações de cidadania e de amor a cidade de Ouro Preto, transformou uma ação voluntária, de zelador das ruas/praças da cidade (varrição e recolhimento do lixo espalhados pelas calçadas e vias), numa ação de cidadania e valorização do patrimônio histórico, com reconhecimento pela cidade e fora dela, mesmo que de maneira simbólica.




Produção dos Alunos:
Construção um varal de poesias – Chafariz da Casa de Gonzaga

                  O objetivo deste roteiro é sensibilizar aos alunos da necessidade da preservação do patrimônio documental, visto que o APMOP guarda em seu acervo, histórias de pessoas que viveram na nossa cidade, e que através de sua ação conseguiram transformar de alguma maneira a sociedade em que viviam.
“O documento não é inócuo. É, antes de mais nada, o resultado de uma montagem, consciente ou inconsciente, da história da época, da sociedade que o produziram, mas também das épocas sucessivas durante as quais continuou a viver, talvez esquecido, durante as quais continuou a ser manipulado, ainda que pelo silêncio”[4].

  







[1] LE GOFF, Jacques. História e memória.
[2] NORA, 1993, p.21-22.
[3] Preferimos tratar do episódio ocorrido em 1789, como Conjura Mineira. Isso se justifica com a leitura dos verbetes conjuração, conjura, inconfidência e sublevação no Diccionario da Lingua Portugueza [...] de Antonio de Moraes Silva (Lisboa, 1789), onde o termo mais próximo a nossa compreensão do ocorrido, conjura, significa: movimento que não chegou ao seu fim esperado, não passando da concatenação promissória de um grupo de homens políticos
[4] LE GOFF, Jacques. História e memória .

Obs: Trabalho apresentado para aproveitamento de estudos do curso de História da UFOP, por Helenice Oliveira e Eric Megale.

Postagem e revisão: Helenice Oliveira e Polyana Oliveira