quarta-feira, 18 de junho de 2014

Festas oficiais da Câmara - O Corpus Christi

Figura 1: Tapete para a Procissão de Corpus Christi, na rua Getúlio Vargas
A festa de Corpus Christi foi instituída com a Bula Transiturus de Hoc Mundo, de 11 de agosto de 1264, para ser celebrada na quinta-feira após o domingo da Santíssima Trindade. Após receber o segredo das visões da freira agostiniana Juliana de Mont Cornillon - visões estas que, após serem interpretadas pela Igreja, revelaram a necessidade da realização de uma festa da Eucaristia no Ano Litúrgico - o Papa Urbano IV oficializou, com a Bula, a celebração do Corpus Christi.
Nas festas de Corpus Christi realizadas no Brasil, é comum enfeitar as ruas por onde passa a procissão com tapetes de colorido vivo e desenhos religiosos que remetem ao sacramento da Eucaristia. A tradição do enfeite das ruas foi trazida de Portugal pelos colonizadores. Para confeccionar os tapetes são utilizados diversos materiais, desde flores e borra de café, até serragem colorida. No entanto, antigamente o costume era de ornamentar o caminho apenas com matérias vivas como pétalas, folhas e flores, remetendo ao sentido da vida presente no sacramento da Eucaristia.
Às vésperas de mais um Corpus Christi em Ouro Preto, o APMOP relembra a tradição expondo alguns documentos referentes à festa, datados do século XIX. Até o século XIX, o Corpus Christi era uma festa oficial da Câmara, regida por ordem régia, cabendo a essa instituição os preparativos da celebração.

Abaixo uma Ata de Reunião da Câmara determinando os preparativos da cidade para a festa de Corpus Christi de 1848:
Figura 2: Livro de Atas de Seção da CMOP, 1848
Abaixo um recibo de empréstimo para a preparação da festa, de 1886:
Figura 3: Recibo de empréstimo
Abaixo um requerimento de verba para realização da festa, de 1896:
Figura 4: Requerimento de Verba Orçamentária
Programação da festa de Corpus Christi deste ano de 2014:
Referências:
Figura 1: Disponível em: [http://www.hojeemdia.com.br/minas/artistas-da-madrugada-enfeitam-ruas-historicas-de-ouro-preto-1.129735]. Acesso em: 18-jun-2014.
Figura 2: APMOP - Fundo: CMOP - Livro de Atas de Seção - Folhas 187 e 188 - Anos: 1845 a 1848
Figura 3: APMOP - Comprobatórios de Receita e Despesa - Ano: 1886 (Documentação não catalogada)
Figura 4: APMOP - Requerimento de Verba Orçamentária - Ano: 1896 (Documentação não catalogada)
Figura 5: Paróquias de Nossa Sra. do Pilar e Nossa Sra. da Conceição: Programação do Corpus Christi de 2014
[POSTAGEM: Eric Vinícius Pinto Megale e Miguel Pereira dos Santos (estagiários) - REVISÃO: Helenice Oliveira e Polyana Oliveira]

Festas oficiais da Câmara - O Corpus Christi

Figura 1: Tapete para a Procissão de Corpus Christi, na rua Getúlio Vargas
A festa de Corpus Christi foi instituída com a Bula Transiturus de Hoc Mundo, de 11 de agosto de 1264, para ser celebrada na quinta-feira após o domingo da Santíssima Trindade. Após receber o segredo das visões da freira agostiniana Juliana de Mont Cornillon - visões estas que, após serem interpretadas pela Igreja, revelaram a necessidade da realização de uma festa da Eucaristia no Ano Litúrgico - o Papa Urbano IV oficializou, com a Bula, a celebração do Corpus Christi.
Nas festas de Corpus Christi realizadas no Brasil, é comum enfeitar as ruas por onde passa a procissão com tapetes de colorido vivo e desenhos religiosos que remetem ao sacramento da Eucaristia. A tradição do enfeite das ruas foi trazida de Portugal pelos colonizadores. Para confeccionar os tapetes são utilizados diversos materiais, desde flores e borra de café, até serragem colorida. No entanto, antigamente o costume era de ornamentar o caminho apenas com matérias vivas como pétalas, folhas e flores, remetendo ao sentido da vida presente no sacramento da Eucaristia.
Às vésperas de mais um Corpus Christi em Ouro Preto, o APMOP relembra a tradição expondo alguns documentos referentes à festa, datados do século XIX. Até o século XIX, o Corpus Christi era uma festa oficial da Câmara, regida por ordem régia, cabendo a essa instituição os preparativos da celebração.

Abaixo uma Ata de Reunião da Câmara determinando os preparativos da cidade para a festa de Corpus Christi de 1848:
Figura 2: Livro de Atas de Seção da CMOP, 1848
Abaixo um recibo de empréstimo para a preparação da festa, de 1886:
Figura 3: Recibo de empréstimo
Abaixo um requerimento de verba para realização da festa, de 1896:
Figura 4: Requerimento de Verba Orçamentária
Programação da festa de Corpus Christi deste ano de 2014:
Referências:
Figura 1: Disponível em: [http://www.hojeemdia.com.br/minas/artistas-da-madrugada-enfeitam-ruas-historicas-de-ouro-preto-1.129735]. Acesso em: 18-jun-2014.
Figura 2: APMOP - Fundo: CMOP - Livro de Atas de Seção - Folhas 187 e 188 - Anos: 1845 a 1848
Figura 3: APMOP - Comprobatórios de Receita e Despesa - Ano: 1886 (Documentação não catalogada)
Figura 4: APMOP - Requerimento de Verba Orçamentária - Ano: 1896 (Documentação não catalogada)
Figura 5: Paróquias de Nossa Sra. do Pilar e Nossa Sra. da Conceição: Programação do Corpus Christi de 2014
[POSTAGEM: Eric Vinícius Pinto Megale e Miguel Pereira dos Santos (estagiários) - REVISÃO: Helenice Oliveira e Polyana Oliveira]

terça-feira, 29 de abril de 2014

Conservação do Patrimônio - A Casa da Ópera de Ouro Preto

O TEATRO GREGO E SEUS ESPAÇOS

O teatro tem suas origens na Grécia Antiga, especificamente em Atenas no século VI a.C. Seu surgimento tem uma ligação marcada pela religiosidade, onde utilizavam-se de rituais sagrados em homenagem aos deuses da fertilidade, da vegetação, da vinha, etc. Construídos nas encostas escavadas, com suas arquibancadas semicirculares destinadas ao público, e o palco apenas como um relvado, esses ambientes eram ao ar livre e poderiam variar de forma e tamanho, sendo nos formatos retangular, semicircular, ferradura ou misto.
Figura 1: Teatro Grego
IDADE MÉDIA

Já na Idade Média, o teatro renasce timidamente nas igrejas e monastérios, e assim como na Grécia, tinha seus princípios voltados para fins religiosos, sendo escritos e representados inicialmente pelos membros do clero. No entanto, eram apresentados também temas populares do cotidiano, com a participação dos fiéis como figurantes e, posteriormente, como atores. Ao contrário da maneira representada nos espaços físicos anteriormente, o teatro na Idade Média era encenado ao ar livre diante das catedrais, igrejas, no meio rural e na grande praça da cidade. Não havia nesse período um local específico unicamente para peças teatrais.
Figura 2: Pintura ilustrativa de um Teatro Medieval Francês
RENASCIMENTO

O teatro renascentista surge no contexto da decadência religiosa. Assim sendo, os temas religiosos perdem espaço dentro das ênfases teatrais. A partir desse momento o homem passa a ser o centro do universo teatral, e não apenas Deus. Nesse clima de mudanças dentro do próprio ambiente cênico, o espaço também é modificado. O palco torna-se um lugar onde as peças se desenvolvem sem interrupções, de modo rápido e com grande número de figurantes, havendo então uma inter-relação entre plateia e palco. Em relação frontal de oposição, os espectadores ficavam bem próximos dos atores e aplaudiam ou vaiavam conforme sua aprovação. O desenvolvimento tecnológico modificou todo o aparato técnico que cercava os espetáculos, levando os pintores renascentistas a utilizarem os cenários com o intuito de dar profundidade ao espaço do palco.
Figura 3: O interior do Comédie-Française, em Paris
CASA DA ÓPERA

A Casa da Ópera de Vila Rica, atual Teatro Municipal de Ouro Preto, foi inaugurada em 6 de junho de 1770 e é o teatro mais antigo em funcionamento das Américas, constando inclusive no Guinness Book, o Livro dos Recordes. Tem o formato de lira e é um dos únicos no mundo a fazer referência ao instrumento que marca o nascimento da ópera. Foi construído pelo coronel João de Souza Lisboa e teve projeto arquitetônico - nos moldes do barroco italiano - realizado por Mateus Garcia.
Já no século XIX foi adquirido pelo governo provincial, sendo transferido para os cuidados da então Câmara Municipal da antiga Capital - Ouro Preto - na década de 1890, quando da mudança da capital para Belo Horizonte. Desde então o município passou a ser o responsável por sua preservação conforme pode ser visto no documento abaixo:
Figura 4: Documento referente à entrega das chaves do Teatro
Em 1993 a Casa da Ópera necessitou de uma reforma e aparelhamento devido ao estado precário em que se encontravam as instalações. O projeto foi assinado pelo renomado arquiteto e cenógrafo Raul Belém Machado, falecido em setembro de 2012.
Segue abaixo uma das plantas assinadas por Raul Belém na época da reforma:
Figura 5: Planta descritiva assinada por Raul Belém Machado
No dia 23 deste mês, após uma vistoria, a Casa da Ópera foi interditada pelo Corpo de Bombeiros de Ouro Preto, por falta de extintores, problemas na estrutura e danificações na parte elétrica. A população do município espera que as devidas medidas sejam tomadas a fim de que um dos grandes símbolos de Ouro Preto volte a funcionar.
Encontra-se disponível para pesquisa no APMOP, o dossiê referente ao projeto de Raul Belém, além de fotos e outras especificações.
Figura 6: Casa da Ópera, Ouro Preto
Referências:
FIGURAS 1, 2 e 3: Disponível em: [http://dc423.4shared.com/doc/iKjqVHXh/preview.html]. Acesso em: 28-abr-2014.
FIGURA 4: APMOP - Fundo: CMOP - Caixa: Obras Públicas - Ano: 1897
FIGURA 5: APMOP - Fundo: PMOP - Caixa: Obras Públicas - Ano: 1994
FIGURA 6: Disponível em: [http://pacotesturisticos.sendtur.com.br/ouro-preto-terra-das-artes-barrocas/]. Acesso em: 29-abr-2014.
[POSTAGEM: Miguel Pereira e Eric Vinícius Pinto Megale (estagiários) - REVISÃO: Helenice Oliveira e Polyana Oliveira]

Conservação do Patrimônio - A Casa da Ópera de Ouro Preto

O TEATRO GREGO E SEUS ESPAÇOS

O teatro tem suas origens na Grécia Antiga, especificamente em Atenas no século VI a.C. Seu surgimento tem uma ligação marcada pela religiosidade, onde utilizavam-se de rituais sagrados em homenagem aos deuses da fertilidade, da vegetação, da vinha, etc. Construídos nas encostas escavadas, com suas arquibancadas semicirculares destinadas ao público, e o palco apenas como um relvado, esses ambientes eram ao ar livre e poderiam variar de forma e tamanho, sendo nos formatos retangular, semicircular, ferradura ou misto.
Figura 1: Teatro Grego
IDADE MÉDIA

Já na Idade Média, o teatro renasce timidamente nas igrejas e monastérios, e assim como na Grécia, tinha seus princípios voltados para fins religiosos, sendo escritos e representados inicialmente pelos membros do clero. No entanto, eram apresentados também temas populares do cotidiano, com a participação dos fiéis como figurantes e, posteriormente, como atores. Ao contrário da maneira representada nos espaços físicos anteriormente, o teatro na Idade Média era encenado ao ar livre diante das catedrais, igrejas, no meio rural e na grande praça da cidade. Não havia nesse período um local específico unicamente para peças teatrais.
Figura 2: Pintura ilustrativa de um Teatro Medieval Francês
RENASCIMENTO

O teatro renascentista surge no contexto da decadência religiosa. Assim sendo, os temas religiosos perdem espaço dentro das ênfases teatrais. A partir desse momento o homem passa a ser o centro do universo teatral, e não apenas Deus. Nesse clima de mudanças dentro do próprio ambiente cênico, o espaço também é modificado. O palco torna-se um lugar onde as peças se desenvolvem sem interrupções, de modo rápido e com grande número de figurantes, havendo então uma inter-relação entre plateia e palco. Em relação frontal de oposição, os espectadores ficavam bem próximos dos atores e aplaudiam ou vaiavam conforme sua aprovação. O desenvolvimento tecnológico modificou todo o aparato técnico que cercava os espetáculos, levando os pintores renascentistas a utilizarem os cenários com o intuito de dar profundidade ao espaço do palco.
Figura 3: O interior do Comédie-Française, em Paris
CASA DA ÓPERA

A Casa da Ópera de Vila Rica, atual Teatro Municipal de Ouro Preto, foi inaugurada em 6 de junho de 1770 e é o teatro mais antigo em funcionamento das Américas, constando inclusive no Guinness Book, o Livro dos Recordes. Tem o formato de lira e é um dos únicos no mundo a fazer referência ao instrumento que marca o nascimento da ópera. Foi construído pelo coronel João de Souza Lisboa e teve projeto arquitetônico - nos moldes do barroco italiano - realizado por Mateus Garcia.
Já no século XIX foi adquirido pelo governo provincial, sendo transferido para os cuidados da então Câmara Municipal da antiga Capital - Ouro Preto - na década de 1890, quando da mudança da capital para Belo Horizonte. Desde então o município passou a ser o responsável por sua preservação conforme pode ser visto no documento abaixo:
Figura 4: Documento referente à entrega das chaves do Teatro
Em 1993 a Casa da Ópera necessitou de uma reforma e aparelhamento devido ao estado precário em que se encontravam as instalações. O projeto foi assinado pelo renomado arquiteto e cenógrafo Raul Belém Machado, falecido em setembro de 2012.
Segue abaixo uma das plantas assinadas por Raul Belém na época da reforma:
Figura 5: Planta descritiva assinada por Raul Belém Machado
No dia 23 deste mês, após uma vistoria, a Casa da Ópera foi interditada pelo Corpo de Bombeiros de Ouro Preto, por falta de extintores, problemas na estrutura e danificações na parte elétrica. A população do município espera que as devidas medidas sejam tomadas a fim de que um dos grandes símbolos de Ouro Preto volte a funcionar.
Encontra-se disponível para pesquisa no APMOP, o dossiê referente ao projeto de Raul Belém, além de fotos e outras especificações.
Figura 6: Casa da Ópera, Ouro Preto
Referências:
FIGURAS 1, 2 e 3: Disponível em: [http://dc423.4shared.com/doc/iKjqVHXh/preview.html]. Acesso em: 28-abr-2014.
FIGURA 4: APMOP - Fundo: CMOP - Caixa: Obras Públicas - Ano: 1897
FIGURA 5: APMOP - Fundo: PMOP - Caixa: Obras Públicas - Ano: 1994
FIGURA 6: Disponível em: [http://pacotesturisticos.sendtur.com.br/ouro-preto-terra-das-artes-barrocas/]. Acesso em: 29-abr-2014.
[POSTAGEM: Miguel Pereira e Eric Vinícius Pinto Megale (estagiários) - REVISÃO: Helenice Oliveira e Polyana Oliveira]

quinta-feira, 10 de abril de 2014

Semana Santa de Ouro Preto - Tradição e Fé

Durante o período barroco, a religiosidade passou a fazer parte da alma de Vila Rica. Foi nessa época que a celebração do período quaresmal e da Semana Santa tornou-se uma tradição, firmada na morte e ressurreição de Jesus Cristo, bem como em sua "missão redentora".
Pelo fato de Ouro Preto possuir naqueles tempos duas igrejas matrizes - a Basílica de Nossa Senhora do Pilar e o Santuário de Nossa Senhora da Conceição - passou a ser feito um revezamento anual entre ambas na realização da Semana Santa. Estes momentos de fé e reflexão começam para os Católicos do mundo na Quarta-Feira de Cinzas, mas em Ouro Preto a preparação tem início com o Setenário das Dores da Virgem Maria, celebração essa que acontece na Basílica do Pilar e se constitui pela reflexão das sete dores de Nossa Senhora. O rito ocorre durante 7 sextas-feiras, iniciando-se na sexta-feira anterior ao período carnavalesco e terminando na sexta-feira das dores, quando acontece a procissão do depósito de Nossa Senhora. No sábado acontece a procissão do depósito do Senhor dos Passos. No Domingo de Ramos começa a Semana Santa, com a entrada triunfal de Jesus Cristo em Jerusalém, quando a população fiel lançou ramos pelo caminho para aclamá-lo. A celebração termina no Domingo da Ressurreição.
A realização destas cerimônias - do século XVIII até meados do XX - era de responsabilidade das várias irmandades e confrarias: Os Terceiros Carmelitas, os Franciscanos, as Irmandades do Santíssimo Sacramento e do Bom Jesus dos Passos. A irmandade do Bom Jesus dos Passos foi extinta, mas durante o tempo que funcionou, exerceu função importante na preparação das celebrações como pode ser comprovado através dos Recibos de compra de amêndoas e velas abaixo.
APMOP - Fundo: CMOP - Caixa: Comprobatórios de Receita e Despesa - Ano: 1868

Programação detalhada da Semana Santa de 1897, realizada na Basílica de Nossa Senhora do Pilar:
APMOP - Fundo: CMOP - Caixa: Vereança - Ano: 1897
APMOP - Fundo: CMOP - Caixa: Vereança - Ano: 1897
APMOP - Fundo: CMOP - Caixa: Vereança - Ano: 1897
Este jornal "Voz de Ouro Preto", de maio de 1935, apresenta um panorama sobre as festividades que aconteceram na Semana Santa:
APMOP - Acervo de Jornais - Jornal Voz de Ouro Preto - 08/05/1935 - Página 1
Abaixo mais um jornal. Dessa vez "O Ouro Preto", de 12 de abril de 1975, demonstra, em uma breve manchete, a grandeza e fulgência da celebração realizada naquele ano.
APMOP - Acervo de Jornais - Jornal O Ouro Preto - 12/04/1975 - Página 1
Os documentos e jornais apresentados na postagem encontram-se disponíveis para pesquisa no APMOP.
Abaixo segue a programação da Semana Santa deste ano, a ser realizada na Basílica de Nossa Senhora do Pilar.

Referências:
CAMPOS, Adalgisa Arantes. Quaresma e tríduo sacro nas minas setecentistas: cultura material e liturgia. Belo Horizonte: Revista Barroco, 1993.
APMOP - Fundo: CMOP - Caixa: Comprobatórios de Receita e Despesa - Ano: 1868
APMOP - Fundo: CMOP - Caixa: Vereança - Ano: 1897
APMOP - Acervo de Jornais - Jornal Voz de Ouro Preto - 08/05/1935 - Página 1
APMOP - Acervo de Jornais - Jornal O Ouro Preto - 12/04/1975 - Página 1
Paróquia do Pilar, Ouro Preto - Programação Semana Santa 2014
[POSTAGEM: Eric Vinícius Pinto Megale (estagiário) - REVISÃO: Helenice Oliveira e Polyana Oliveira] 

Semana Santa de Ouro Preto - Tradição e Fé

Durante o período barroco, a religiosidade passou a fazer parte da alma de Vila Rica. Foi nessa época que a celebração do período quaresmal e da Semana Santa tornou-se uma tradição, firmada na morte e ressurreição de Jesus Cristo, bem como em sua "missão redentora".
Pelo fato de Ouro Preto possuir naqueles tempos duas igrejas matrizes - a Basílica de Nossa Senhora do Pilar e o Santuário de Nossa Senhora da Conceição - passou a ser feito um revezamento anual entre ambas na realização da Semana Santa. Estes momentos de fé e reflexão começam para os Católicos do mundo na Quarta-Feira de Cinzas, mas em Ouro Preto a preparação tem início com o Setenário das Dores da Virgem Maria, celebração essa que acontece na Basílica do Pilar e se constitui pela reflexão das sete dores de Nossa Senhora. O rito ocorre durante 7 sextas-feiras, iniciando-se na sexta-feira anterior ao período carnavalesco e terminando na sexta-feira das dores, quando acontece a procissão do depósito de Nossa Senhora. No sábado acontece a procissão do depósito do Senhor dos Passos. No Domingo de Ramos começa a Semana Santa, com a entrada triunfal de Jesus Cristo em Jerusalém, quando a população fiel lançou ramos pelo caminho para aclamá-lo. A celebração termina no Domingo da Ressurreição.
A realização destas cerimônias - do século XVIII até meados do XX - era de responsabilidade das várias irmandades e confrarias: Os Terceiros Carmelitas, os Franciscanos, as Irmandades do Santíssimo Sacramento e do Bom Jesus dos Passos. A irmandade do Bom Jesus dos Passos foi extinta, mas durante o tempo que funcionou, exerceu função importante na preparação das celebrações como pode ser comprovado através dos Recibos de compra de amêndoas e velas abaixo.
APMOP - Fundo: CMOP - Caixa: Comprobatórios de Receita e Despesa - Ano: 1868

Programação detalhada da Semana Santa de 1897, realizada na Basílica de Nossa Senhora do Pilar:
APMOP - Fundo: CMOP - Caixa: Vereança - Ano: 1897
APMOP - Fundo: CMOP - Caixa: Vereança - Ano: 1897
APMOP - Fundo: CMOP - Caixa: Vereança - Ano: 1897
Este jornal "Voz de Ouro Preto", de maio de 1935, apresenta um panorama sobre as festividades que aconteceram na Semana Santa:
APMOP - Acervo de Jornais - Jornal Voz de Ouro Preto - 08/05/1935 - Página 1
Abaixo mais um jornal. Dessa vez "O Ouro Preto", de 12 de abril de 1975, demonstra, em uma breve manchete, a grandeza e fulgência da celebração realizada naquele ano.
APMOP - Acervo de Jornais - Jornal O Ouro Preto - 12/04/1975 - Página 1
Os documentos e jornais apresentados na postagem encontram-se disponíveis para pesquisa no APMOP.
Abaixo segue a programação da Semana Santa deste ano, a ser realizada na Basílica de Nossa Senhora do Pilar.

Referências:
CAMPOS, Adalgisa Arantes. Quaresma e tríduo sacro nas minas setecentistas: cultura material e liturgia. Belo Horizonte: Revista Barroco, 1993.
APMOP - Fundo: CMOP - Caixa: Comprobatórios de Receita e Despesa - Ano: 1868
APMOP - Fundo: CMOP - Caixa: Vereança - Ano: 1897
APMOP - Acervo de Jornais - Jornal Voz de Ouro Preto - 08/05/1935 - Página 1
APMOP - Acervo de Jornais - Jornal O Ouro Preto - 12/04/1975 - Página 1
Paróquia do Pilar, Ouro Preto - Programação Semana Santa 2014
[POSTAGEM: Eric Vinícius Pinto Megale (estagiário) - REVISÃO: Helenice Oliveira e Polyana Oliveira] 

sexta-feira, 21 de março de 2014

Abastecimento de Gêneros em Ouro Preto: Mercados, mercadorias e mercadores.



Figura 1: Mercado da Freguesia de Antonio Dias, século XIX

Nas Minas Gerais, a produção para o abastecimento começou a ocorrer no princípio do século XVIII e era realizada na própria região produtiva, entre sítios e fazendas. Já no século XIX, os núcleos urbanos passaram a exercer o controle do abastecimento de gêneros. As autoridades locais determinavam critérios que norteavam a prática administrativa nos mercados municipais e barreiras. Dentre esses critérios destacavam-se a supervisão do funcionamento dos estabelecimentos, o tabelamento de preços de mercadorias e a fiscalização de posturas e conduta referentes ao abastecimento alimentar.
No município de Ouro Preto o controle era feito nas quatro barreiras de entrada – Barra, Cabeças, Santa Rita e Alto da Cruz – e no mercado Municipal . O mercado de Antonio Dias funcionava no atual Largo de Coimbra, aonde hoje se encontra a  feira  de pedra sabão e artesanato. Seu primeiro prédio funcionou até o final do século XIX, quando foi demolido para que fosse reerguida outra construção nos moldes modernos. Neste período foi construído também, um mercado de tropas na Rua do Caminho Novo, prédio que hoje abriga a Biblioteca Pública da Cidade. Outra construção foi feita no espaço do antigo mercado, que já na primeira metade do século XX,  foi novamente posta a baixo, dando lugar ao espaço da atual feirinha de artesanato em  pedra sabão.

Figura 2: Ilustração do Mercado de Antonio Dias, início da década de 1940

No APMOP encontra-se disponível para pesquisa uma série denominada “Abastecimento”, que abarca documentos referentes à entrada de gêneros, ao controle do abate de rezes e controle da carne verde – carne fresca – no matadouro municipal, dentre outros relacionados a impostos sobre produtos ou contratos para fornecimento de gêneros.
Abaixo um relatório diário (29/07/1893) referente à entrada de gêneros no mercado, detalhando fornecedor, quantidade, procedência, tipo de mercadoria e outros detalhes.

APMOP - Fundo: CMOP - Caixa: Abastecimento - Ano: 1893

O documento seguinte é um talão de pagamento de imposto sobre aguardente.
APMOP - Fundo: CMOP - Caixa: Abastecimento - Ano: 1892

Abaixo os primeiros ditos de um contrato para fornecimento de carne verde à população ouropretana. Contrato este composto por doze cláusulas, datado de 26 de outubro de 1892 e disponível para consulta no APMOP.
APMOP - Fundo: CMOP - Caixa: Abastecimento - Ano:1892

Referências:
CHAVES. C. M. G. Perfeitos negociantes. Mercadores das Minas setecentistas. São Paulo: Annablume/Unicentro Newton Paiva, 1999.
MARTINS, Marcos Lobato. Quintais, chácaras, intendências e abastecimento alimentar em Diamantina: séculos XIX e XX. Disponível em: [http://web.cedeplar.ufmg.br/cedeplar/site/seminarios/seminario_diamantina/2010/D10A003.pdf]. Acesso em: 21-mar-2014.
APMOP - Fundo: CMOP - Caixa: Abastecimento - Anos: 1892 e 1893
Figuras 1 e 2: Disponível em: [http://espacospublicosbarrocos.blogspot.com.br/2012/05/o-largo-de-coimbra.html]. Acesso em: 21-mar-2014.
[POSTAGEM: Eric Vinícius Pinto Megale (estagiário) - REVISÃO: Helenice Oliveira e Polyana]