quinta-feira, 10 de abril de 2014

Semana Santa de Ouro Preto - Tradição e Fé

Durante o período barroco, a religiosidade passou a fazer parte da alma de Vila Rica. Foi nessa época que a celebração do período quaresmal e da Semana Santa tornou-se uma tradição, firmada na morte e ressurreição de Jesus Cristo, bem como em sua "missão redentora".
Pelo fato de Ouro Preto possuir naqueles tempos duas igrejas matrizes - a Basílica de Nossa Senhora do Pilar e o Santuário de Nossa Senhora da Conceição - passou a ser feito um revezamento anual entre ambas na realização da Semana Santa. Estes momentos de fé e reflexão começam para os Católicos do mundo na Quarta-Feira de Cinzas, mas em Ouro Preto a preparação tem início com o Setenário das Dores da Virgem Maria, celebração essa que acontece na Basílica do Pilar e se constitui pela reflexão das sete dores de Nossa Senhora. O rito ocorre durante 7 sextas-feiras, iniciando-se na sexta-feira anterior ao período carnavalesco e terminando na sexta-feira das dores, quando acontece a procissão do depósito de Nossa Senhora. No sábado acontece a procissão do depósito do Senhor dos Passos. No Domingo de Ramos começa a Semana Santa, com a entrada triunfal de Jesus Cristo em Jerusalém, quando a população fiel lançou ramos pelo caminho para aclamá-lo. A celebração termina no Domingo da Ressurreição.
A realização destas cerimônias - do século XVIII até meados do XX - era de responsabilidade das várias irmandades e confrarias: Os Terceiros Carmelitas, os Franciscanos, as Irmandades do Santíssimo Sacramento e do Bom Jesus dos Passos. A irmandade do Bom Jesus dos Passos foi extinta, mas durante o tempo que funcionou, exerceu função importante na preparação das celebrações como pode ser comprovado através dos Recibos de compra de amêndoas e velas abaixo.
APMOP - Fundo: CMOP - Caixa: Comprobatórios de Receita e Despesa - Ano: 1868

Programação detalhada da Semana Santa de 1897, realizada na Basílica de Nossa Senhora do Pilar:
APMOP - Fundo: CMOP - Caixa: Vereança - Ano: 1897
APMOP - Fundo: CMOP - Caixa: Vereança - Ano: 1897
APMOP - Fundo: CMOP - Caixa: Vereança - Ano: 1897
Este jornal "Voz de Ouro Preto", de maio de 1935, apresenta um panorama sobre as festividades que aconteceram na Semana Santa:
APMOP - Acervo de Jornais - Jornal Voz de Ouro Preto - 08/05/1935 - Página 1
Abaixo mais um jornal. Dessa vez "O Ouro Preto", de 12 de abril de 1975, demonstra, em uma breve manchete, a grandeza e fulgência da celebração realizada naquele ano.
APMOP - Acervo de Jornais - Jornal O Ouro Preto - 12/04/1975 - Página 1
Os documentos e jornais apresentados na postagem encontram-se disponíveis para pesquisa no APMOP.
Abaixo segue a programação da Semana Santa deste ano, a ser realizada na Basílica de Nossa Senhora do Pilar.

Referências:
CAMPOS, Adalgisa Arantes. Quaresma e tríduo sacro nas minas setecentistas: cultura material e liturgia. Belo Horizonte: Revista Barroco, 1993.
APMOP - Fundo: CMOP - Caixa: Comprobatórios de Receita e Despesa - Ano: 1868
APMOP - Fundo: CMOP - Caixa: Vereança - Ano: 1897
APMOP - Acervo de Jornais - Jornal Voz de Ouro Preto - 08/05/1935 - Página 1
APMOP - Acervo de Jornais - Jornal O Ouro Preto - 12/04/1975 - Página 1
Paróquia do Pilar, Ouro Preto - Programação Semana Santa 2014
[POSTAGEM: Eric Vinícius Pinto Megale (estagiário) - REVISÃO: Helenice Oliveira e Polyana Oliveira] 

Semana Santa de Ouro Preto - Tradição e Fé

Durante o período barroco, a religiosidade passou a fazer parte da alma de Vila Rica. Foi nessa época que a celebração do período quaresmal e da Semana Santa tornou-se uma tradição, firmada na morte e ressurreição de Jesus Cristo, bem como em sua "missão redentora".
Pelo fato de Ouro Preto possuir naqueles tempos duas igrejas matrizes - a Basílica de Nossa Senhora do Pilar e o Santuário de Nossa Senhora da Conceição - passou a ser feito um revezamento anual entre ambas na realização da Semana Santa. Estes momentos de fé e reflexão começam para os Católicos do mundo na Quarta-Feira de Cinzas, mas em Ouro Preto a preparação tem início com o Setenário das Dores da Virgem Maria, celebração essa que acontece na Basílica do Pilar e se constitui pela reflexão das sete dores de Nossa Senhora. O rito ocorre durante 7 sextas-feiras, iniciando-se na sexta-feira anterior ao período carnavalesco e terminando na sexta-feira das dores, quando acontece a procissão do depósito de Nossa Senhora. No sábado acontece a procissão do depósito do Senhor dos Passos. No Domingo de Ramos começa a Semana Santa, com a entrada triunfal de Jesus Cristo em Jerusalém, quando a população fiel lançou ramos pelo caminho para aclamá-lo. A celebração termina no Domingo da Ressurreição.
A realização destas cerimônias - do século XVIII até meados do XX - era de responsabilidade das várias irmandades e confrarias: Os Terceiros Carmelitas, os Franciscanos, as Irmandades do Santíssimo Sacramento e do Bom Jesus dos Passos. A irmandade do Bom Jesus dos Passos foi extinta, mas durante o tempo que funcionou, exerceu função importante na preparação das celebrações como pode ser comprovado através dos Recibos de compra de amêndoas e velas abaixo.
APMOP - Fundo: CMOP - Caixa: Comprobatórios de Receita e Despesa - Ano: 1868

Programação detalhada da Semana Santa de 1897, realizada na Basílica de Nossa Senhora do Pilar:
APMOP - Fundo: CMOP - Caixa: Vereança - Ano: 1897
APMOP - Fundo: CMOP - Caixa: Vereança - Ano: 1897
APMOP - Fundo: CMOP - Caixa: Vereança - Ano: 1897
Este jornal "Voz de Ouro Preto", de maio de 1935, apresenta um panorama sobre as festividades que aconteceram na Semana Santa:
APMOP - Acervo de Jornais - Jornal Voz de Ouro Preto - 08/05/1935 - Página 1
Abaixo mais um jornal. Dessa vez "O Ouro Preto", de 12 de abril de 1975, demonstra, em uma breve manchete, a grandeza e fulgência da celebração realizada naquele ano.
APMOP - Acervo de Jornais - Jornal O Ouro Preto - 12/04/1975 - Página 1
Os documentos e jornais apresentados na postagem encontram-se disponíveis para pesquisa no APMOP.
Abaixo segue a programação da Semana Santa deste ano, a ser realizada na Basílica de Nossa Senhora do Pilar.

Referências:
CAMPOS, Adalgisa Arantes. Quaresma e tríduo sacro nas minas setecentistas: cultura material e liturgia. Belo Horizonte: Revista Barroco, 1993.
APMOP - Fundo: CMOP - Caixa: Comprobatórios de Receita e Despesa - Ano: 1868
APMOP - Fundo: CMOP - Caixa: Vereança - Ano: 1897
APMOP - Acervo de Jornais - Jornal Voz de Ouro Preto - 08/05/1935 - Página 1
APMOP - Acervo de Jornais - Jornal O Ouro Preto - 12/04/1975 - Página 1
Paróquia do Pilar, Ouro Preto - Programação Semana Santa 2014
[POSTAGEM: Eric Vinícius Pinto Megale (estagiário) - REVISÃO: Helenice Oliveira e Polyana Oliveira] 

sexta-feira, 21 de março de 2014

Abastecimento de Gêneros em Ouro Preto: Mercados, mercadorias e mercadores.



Figura 1: Mercado da Freguesia de Antonio Dias, século XIX

Nas Minas Gerais, a produção para o abastecimento começou a ocorrer no princípio do século XVIII e era realizada na própria região produtiva, entre sítios e fazendas. Já no século XIX, os núcleos urbanos passaram a exercer o controle do abastecimento de gêneros. As autoridades locais determinavam critérios que norteavam a prática administrativa nos mercados municipais e barreiras. Dentre esses critérios destacavam-se a supervisão do funcionamento dos estabelecimentos, o tabelamento de preços de mercadorias e a fiscalização de posturas e conduta referentes ao abastecimento alimentar.
No município de Ouro Preto o controle era feito nas quatro barreiras de entrada – Barra, Cabeças, Santa Rita e Alto da Cruz – e no mercado Municipal . O mercado de Antonio Dias funcionava no atual Largo de Coimbra, aonde hoje se encontra a  feira  de pedra sabão e artesanato. Seu primeiro prédio funcionou até o final do século XIX, quando foi demolido para que fosse reerguida outra construção nos moldes modernos. Neste período foi construído também, um mercado de tropas na Rua do Caminho Novo, prédio que hoje abriga a Biblioteca Pública da Cidade. Outra construção foi feita no espaço do antigo mercado, que já na primeira metade do século XX,  foi novamente posta a baixo, dando lugar ao espaço da atual feirinha de artesanato em  pedra sabão.

Figura 2: Ilustração do Mercado de Antonio Dias, início da década de 1940

No APMOP encontra-se disponível para pesquisa uma série denominada “Abastecimento”, que abarca documentos referentes à entrada de gêneros, ao controle do abate de rezes e controle da carne verde – carne fresca – no matadouro municipal, dentre outros relacionados a impostos sobre produtos ou contratos para fornecimento de gêneros.
Abaixo um relatório diário (29/07/1893) referente à entrada de gêneros no mercado, detalhando fornecedor, quantidade, procedência, tipo de mercadoria e outros detalhes.

APMOP - Fundo: CMOP - Caixa: Abastecimento - Ano: 1893

O documento seguinte é um talão de pagamento de imposto sobre aguardente.
APMOP - Fundo: CMOP - Caixa: Abastecimento - Ano: 1892

Abaixo os primeiros ditos de um contrato para fornecimento de carne verde à população ouropretana. Contrato este composto por doze cláusulas, datado de 26 de outubro de 1892 e disponível para consulta no APMOP.
APMOP - Fundo: CMOP - Caixa: Abastecimento - Ano:1892

Referências:
CHAVES. C. M. G. Perfeitos negociantes. Mercadores das Minas setecentistas. São Paulo: Annablume/Unicentro Newton Paiva, 1999.
MARTINS, Marcos Lobato. Quintais, chácaras, intendências e abastecimento alimentar em Diamantina: séculos XIX e XX. Disponível em: [http://web.cedeplar.ufmg.br/cedeplar/site/seminarios/seminario_diamantina/2010/D10A003.pdf]. Acesso em: 21-mar-2014.
APMOP - Fundo: CMOP - Caixa: Abastecimento - Anos: 1892 e 1893
Figuras 1 e 2: Disponível em: [http://espacospublicosbarrocos.blogspot.com.br/2012/05/o-largo-de-coimbra.html]. Acesso em: 21-mar-2014.
[POSTAGEM: Eric Vinícius Pinto Megale (estagiário) - REVISÃO: Helenice Oliveira e Polyana]

Abastecimento de Gêneros em Ouro Preto: Mercados, mercadorias e mercadores.



Figura 1: Mercado da Freguesia de Antonio Dias, século XIX

Nas Minas Gerais, a produção para o abastecimento começou a ocorrer no princípio do século XVIII e era realizada na própria região produtiva, entre sítios e fazendas. Já no século XIX, os núcleos urbanos passaram a exercer o controle do abastecimento de gêneros. As autoridades locais determinavam critérios que norteavam a prática administrativa nos mercados municipais e barreiras. Dentre esses critérios destacavam-se a supervisão do funcionamento dos estabelecimentos, o tabelamento de preços de mercadorias e a fiscalização de posturas e conduta referentes ao abastecimento alimentar.
No município de Ouro Preto o controle era feito nas quatro barreiras de entrada – Barra, Cabeças, Santa Rita e Alto da Cruz – e no mercado Municipal . O mercado de Antonio Dias funcionava no atual Largo de Coimbra, aonde hoje se encontra a  feira  de pedra sabão e artesanato. Seu primeiro prédio funcionou até o final do século XIX, quando foi demolido para que fosse reerguida outra construção nos moldes modernos. Neste período foi construído também, um mercado de tropas na Rua do Caminho Novo, prédio que hoje abriga a Biblioteca Pública da Cidade. Outra construção foi feita no espaço do antigo mercado, que já na primeira metade do século XX,  foi novamente posta a baixo, dando lugar ao espaço da atual feirinha de artesanato em  pedra sabão.

Figura 2: Ilustração do Mercado de Antonio Dias, início da década de 1940

No APMOP encontra-se disponível para pesquisa uma série denominada “Abastecimento”, que abarca documentos referentes à entrada de gêneros, ao controle do abate de rezes e controle da carne verde – carne fresca – no matadouro municipal, dentre outros relacionados a impostos sobre produtos ou contratos para fornecimento de gêneros.
Abaixo um relatório diário (29/07/1893) referente à entrada de gêneros no mercado, detalhando fornecedor, quantidade, procedência, tipo de mercadoria e outros detalhes.

APMOP - Fundo: CMOP - Caixa: Abastecimento - Ano: 1893

O documento seguinte é um talão de pagamento de imposto sobre aguardente.
APMOP - Fundo: CMOP - Caixa: Abastecimento - Ano: 1892

Abaixo os primeiros ditos de um contrato para fornecimento de carne verde à população ouropretana. Contrato este composto por doze cláusulas, datado de 26 de outubro de 1892 e disponível para consulta no APMOP.
APMOP - Fundo: CMOP - Caixa: Abastecimento - Ano:1892

Referências:
CHAVES. C. M. G. Perfeitos negociantes. Mercadores das Minas setecentistas. São Paulo: Annablume/Unicentro Newton Paiva, 1999.
MARTINS, Marcos Lobato. Quintais, chácaras, intendências e abastecimento alimentar em Diamantina: séculos XIX e XX. Disponível em: [http://web.cedeplar.ufmg.br/cedeplar/site/seminarios/seminario_diamantina/2010/D10A003.pdf]. Acesso em: 21-mar-2014.
APMOP - Fundo: CMOP - Caixa: Abastecimento - Anos: 1892 e 1893
Figuras 1 e 2: Disponível em: [http://espacospublicosbarrocos.blogspot.com.br/2012/05/o-largo-de-coimbra.html]. Acesso em: 21-mar-2014.
[POSTAGEM: Eric Vinícius Pinto Megale (estagiário) - REVISÃO: Helenice Oliveira e Polyana]

sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

O Carnaval de Ouro Preto e a tradição do Zé Pereira

APMOP - Fundo: PMOP - Acervo de Fotos
APMOP - Acervo Digital Zé Pereira
Com mais de 140 anos de existência, o bloco Zé Pereira dos Lacaios, de Ouro Preto, é tido como desdobramento do bloco carnavalesco mais antigo do Brasil.
Segundo a história contada, o bloco foi fundado por um português chamado José Nogueira Paredes que em 1846 abriu o primeiro dia de Carnaval na Cidade do Rio de Janeiro, desfilando pelas ruas do centro. O bloco atraiu uma turma de foliões e músicos, responsáveis pela abertura da festa. Em 1867, surge em Ouro Preto um bloco carnavalesco nos mesmos moldes do carioca- o Bloco Zé Pereira Clube dos Lacaios, organizado por funcionários do Palácio dos Governadores da Província de Minas Gerais. O nome Lacaios é uma referência aos colegas bajuladores e seus fraques; cartolas e lanternas, que se tornaram marca registrada do grupo ouro-pretano.
O desfile começa com um grupo de crianças e adultos vestidos de capetinhas, que anunciam a chegada do bloco – são os cariás.
Abaixo, segue uma relação de controle dos sócios e seus devidos instrumentos ou fantasias sob sua responsabilidade, em um dos desfiles do bloco:
APMOP - Acervo Digital Zé Pereira
Bonecos de 2 metros de altura são a marca registrada dos Lacaios. Os três bonecos tradicionais – Zé Pereira, a Baiana e o Catitão - foram feitos na década de 1960 e a eles se juntam outras figuras populares e personagens históricos, como Sinhá Olímpia e Tiradentes.
Abaixo, segue panfleto de divulgação do carnaval, de 1985, destacando um dos bonecos do desfile dos Lacaios:
APMOP - Acervo Digital Zé Pereira
O nome e símbolo do clube vêm grafados no estandarte amarelo e preto. Atrás seguem os tocadores de tarol, caixa, surdo e bumbo, acompanhados pelos sopros. O ritmo é constante, sem vocais e só muda nas subidas das ladeiras.
Segue abaixo a programação do desfile dos Lacaios, de 1994. E em seguida, a divulgação do Carnaval de 1998 destacando o Bloco Zé Pereira dos Lacaios.
APMOP - Acervo Digital Zé Pereira
APMOP - Acervo Digital Zé Pereira
Referências:
APMOP - Fundo: PMOP - Acervo de Fotos (não catalogado)
APMOP - Acervo Digital Zé Pereira (gentilmente cedido por Deolinda Alice dos Santos)
[POSTAGEM: Samantha Blazizza e Eric Vinícius Pinto Megale (estagiários) - REVISÃO: Helenice Oliveira] 

O Carnaval de Ouro Preto e a tradição do Zé Pereira

APMOP - Fundo: PMOP - Acervo de Fotos
APMOP - Acervo Digital Zé Pereira
Com mais de 140 anos de existência, o bloco Zé Pereira dos Lacaios, de Ouro Preto, é tido como desdobramento do bloco carnavalesco mais antigo do Brasil.
Segundo a história contada, o bloco foi fundado por um português chamado José Nogueira Paredes que em 1846 abriu o primeiro dia de Carnaval na Cidade do Rio de Janeiro, desfilando pelas ruas do centro. O bloco atraiu uma turma de foliões e músicos, responsáveis pela abertura da festa. Em 1867, surge em Ouro Preto um bloco carnavalesco nos mesmos moldes do carioca- o Bloco Zé Pereira Clube dos Lacaios, organizado por funcionários do Palácio dos Governadores da Província de Minas Gerais. O nome Lacaios é uma referência aos colegas bajuladores e seus fraques; cartolas e lanternas, que se tornaram marca registrada do grupo ouro-pretano.
O desfile começa com um grupo de crianças e adultos vestidos de capetinhas, que anunciam a chegada do bloco – são os cariás.
Abaixo, segue uma relação de controle dos sócios e seus devidos instrumentos ou fantasias sob sua responsabilidade, em um dos desfiles do bloco:
APMOP - Acervo Digital Zé Pereira
Bonecos de 2 metros de altura são a marca registrada dos Lacaios. Os três bonecos tradicionais – Zé Pereira, a Baiana e o Catitão - foram feitos na década de 1960 e a eles se juntam outras figuras populares e personagens históricos, como Sinhá Olímpia e Tiradentes.
Abaixo, segue panfleto de divulgação do carnaval, de 1985, destacando um dos bonecos do desfile dos Lacaios:
APMOP - Acervo Digital Zé Pereira
O nome e símbolo do clube vêm grafados no estandarte amarelo e preto. Atrás seguem os tocadores de tarol, caixa, surdo e bumbo, acompanhados pelos sopros. O ritmo é constante, sem vocais e só muda nas subidas das ladeiras.
Segue abaixo a programação do desfile dos Lacaios, de 1994. E em seguida, a divulgação do Carnaval de 1998 destacando o Bloco Zé Pereira dos Lacaios.
APMOP - Acervo Digital Zé Pereira
APMOP - Acervo Digital Zé Pereira
Referências:
APMOP - Fundo: PMOP - Acervo de Fotos (não catalogado)
APMOP - Acervo Digital Zé Pereira (gentilmente cedido por Deolinda Alice dos Santos)
[POSTAGEM: Samantha Blazizza e Eric Vinícius Pinto Megale (estagiários) - REVISÃO: Helenice Oliveira] 

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Potencialidades da Documentação Fazendária

As loterias surgiram no mundo a partir dos povos hebreus, egípcios, hindus, chineses e romanos. São jogos de azar bastante populares que têm como base o sorteio aleatório de prêmios.
As primeiras loterias oficiais do mundo foram criadas nos Países Baixos, na Alemanha, na Itália, na Inglaterra e na França, durante o século XVI. A França foi o primeiro país a passar para o Estado a iniciativa de promover as loterias, em 1538. Porém a Espanha foi o primeiro país a promover as apostas com o objetivo “social” de arrecadar fundos, visando à realização de obras e infra-estrutura. O modelo administrativo utilizado pela Espanha para promover as loterias gerou resultado financeiro positivo para o governo. A partir de 1763 outros países passaram a utilizar os mesmos métodos dos espanhóis, dando inicio a criação de várias modalidades de loterias.
A primeira loteria oficial do Brasil foi extraída ainda nos tempos coloniais, em meados de 1790 - apesar de o primeiro regulamento sobre o funcionamento de loterias ser datado de 27 de abril de 1844 (decreto nº 357), promulgado por D. Pedro II. -, quando a Capitania de Minas Gerais promoveu um sorteio com o objetivo de arrecadar recursos, a exemplo dos espanhóis, para o término das obras da Casa de Câmara e Cadeia de Vila Rica, atual Ouro Preto.
Rapidamente as loterias se disseminaram pelo País, sendo que o governo, ao conceder o direito de realização, preferia hospitais, santas casas e orfanatos. Abaixo, segue uma correspondência emitida pela Câmara, justificando a importância da realização de uma loteria para a construção de um orfanato em Ouro Preto, tendo como um dos argumentos: “principalmente quando maior número de crianças, filhas de libertos e colonos vão naturalmente ficar em abandono, se tiverem a desgraça da orphandade (sic)."
APMOP - Fundo: CMOP - Documentos de Loteria
APMOP - Fundo: CMOP - Documentos de Loteria

Segue um documento com a lista de prêmios datado de 1790, com os respectivos números dos bilhetes e extrações, entregue ao Tesoureiro da Câmara do ano de 1792:

APMOP - Fundo: CMOP - Documentos de Loteria

Abaixo um exemplo de bilhete de loteria da década de 90 do século XIX: 
APMOP - Fundo: CMOP - Documentos de Loteria

Esses tipos de loterias, que visavam a arrecadação de verba orçamentária para a construção de obras que tinham por objetivo a melhoria das condições de vida e de infra-estrutura para o município, foram realizadas até o início do século XX. Abaixo segue um contrato celebrado entre a Câmara Municipal de Ouro Preto e um cidadão para a extração de loterias, uma vez que as loterias eram realizadas por terceiros – empresas ou cidadãos – com aprovação da Câmara mediante contratos. 
APMOP - Fundo: CMOP - Documentos de Loteria

Essas Loterias muitas vezes eram noticiadas pelos jornais da época, segue abaixo exemplar de propaganda de uma loteria no Jornal Mineiro datado de 18 de setembro de 1889, que iria ser realizada em benefício da Santa Casa de Misericórdia de Ouro Preto: 
APMOP-Acervo de Jornais-Jornal Mineiro-18/09/1889-Página 4

Escolhemos para essa postagem os documentos referentes às loterias para demonstrar como a documentação fazendária tem uma grande importância para a pesquisa por fornecer muitas possibilidades de recolhimento de dados de assuntos diversos, desde história do comércio local até os hábitos da população, dentre eles, a possibilidade de ganhar dinheiro com loterias e de angariar fundos para entidades filantrópicas.


Referências:
APMOP - Fundo: CMOP - Documentos de Loteria (documentação ainda não catalogada)
APMOP - Acervo de Jornais - Jornal Mineiro - 18/09/1889 - Página 4

[POSTAGEM: Samantha Blazizza (estagiária) - REVISÃO: Helenice Oliveira]