sexta-feira, 7 de fevereiro de 2014

O Carnaval de Ouro Preto e a tradição do Zé Pereira

APMOP - Fundo: PMOP - Acervo de Fotos
APMOP - Acervo Digital Zé Pereira
Com mais de 140 anos de existência, o bloco Zé Pereira dos Lacaios, de Ouro Preto, é tido como desdobramento do bloco carnavalesco mais antigo do Brasil.
Segundo a história contada, o bloco foi fundado por um português chamado José Nogueira Paredes que em 1846 abriu o primeiro dia de Carnaval na Cidade do Rio de Janeiro, desfilando pelas ruas do centro. O bloco atraiu uma turma de foliões e músicos, responsáveis pela abertura da festa. Em 1867, surge em Ouro Preto um bloco carnavalesco nos mesmos moldes do carioca- o Bloco Zé Pereira Clube dos Lacaios, organizado por funcionários do Palácio dos Governadores da Província de Minas Gerais. O nome Lacaios é uma referência aos colegas bajuladores e seus fraques; cartolas e lanternas, que se tornaram marca registrada do grupo ouro-pretano.
O desfile começa com um grupo de crianças e adultos vestidos de capetinhas, que anunciam a chegada do bloco – são os cariás.
Abaixo, segue uma relação de controle dos sócios e seus devidos instrumentos ou fantasias sob sua responsabilidade, em um dos desfiles do bloco:
APMOP - Acervo Digital Zé Pereira
Bonecos de 2 metros de altura são a marca registrada dos Lacaios. Os três bonecos tradicionais – Zé Pereira, a Baiana e o Catitão - foram feitos na década de 1960 e a eles se juntam outras figuras populares e personagens históricos, como Sinhá Olímpia e Tiradentes.
Abaixo, segue panfleto de divulgação do carnaval, de 1985, destacando um dos bonecos do desfile dos Lacaios:
APMOP - Acervo Digital Zé Pereira
O nome e símbolo do clube vêm grafados no estandarte amarelo e preto. Atrás seguem os tocadores de tarol, caixa, surdo e bumbo, acompanhados pelos sopros. O ritmo é constante, sem vocais e só muda nas subidas das ladeiras.
Segue abaixo a programação do desfile dos Lacaios, de 1994. E em seguida, a divulgação do Carnaval de 1998 destacando o Bloco Zé Pereira dos Lacaios.
APMOP - Acervo Digital Zé Pereira
APMOP - Acervo Digital Zé Pereira
Referências:
APMOP - Fundo: PMOP - Acervo de Fotos (não catalogado)
APMOP - Acervo Digital Zé Pereira (gentilmente cedido por Deolinda Alice dos Santos)
[POSTAGEM: Samantha Blazizza e Eric Vinícius Pinto Megale (estagiários) - REVISÃO: Helenice Oliveira] 

O Carnaval de Ouro Preto e a tradição do Zé Pereira

APMOP - Fundo: PMOP - Acervo de Fotos
APMOP - Acervo Digital Zé Pereira
Com mais de 140 anos de existência, o bloco Zé Pereira dos Lacaios, de Ouro Preto, é tido como desdobramento do bloco carnavalesco mais antigo do Brasil.
Segundo a história contada, o bloco foi fundado por um português chamado José Nogueira Paredes que em 1846 abriu o primeiro dia de Carnaval na Cidade do Rio de Janeiro, desfilando pelas ruas do centro. O bloco atraiu uma turma de foliões e músicos, responsáveis pela abertura da festa. Em 1867, surge em Ouro Preto um bloco carnavalesco nos mesmos moldes do carioca- o Bloco Zé Pereira Clube dos Lacaios, organizado por funcionários do Palácio dos Governadores da Província de Minas Gerais. O nome Lacaios é uma referência aos colegas bajuladores e seus fraques; cartolas e lanternas, que se tornaram marca registrada do grupo ouro-pretano.
O desfile começa com um grupo de crianças e adultos vestidos de capetinhas, que anunciam a chegada do bloco – são os cariás.
Abaixo, segue uma relação de controle dos sócios e seus devidos instrumentos ou fantasias sob sua responsabilidade, em um dos desfiles do bloco:
APMOP - Acervo Digital Zé Pereira
Bonecos de 2 metros de altura são a marca registrada dos Lacaios. Os três bonecos tradicionais – Zé Pereira, a Baiana e o Catitão - foram feitos na década de 1960 e a eles se juntam outras figuras populares e personagens históricos, como Sinhá Olímpia e Tiradentes.
Abaixo, segue panfleto de divulgação do carnaval, de 1985, destacando um dos bonecos do desfile dos Lacaios:
APMOP - Acervo Digital Zé Pereira
O nome e símbolo do clube vêm grafados no estandarte amarelo e preto. Atrás seguem os tocadores de tarol, caixa, surdo e bumbo, acompanhados pelos sopros. O ritmo é constante, sem vocais e só muda nas subidas das ladeiras.
Segue abaixo a programação do desfile dos Lacaios, de 1994. E em seguida, a divulgação do Carnaval de 1998 destacando o Bloco Zé Pereira dos Lacaios.
APMOP - Acervo Digital Zé Pereira
APMOP - Acervo Digital Zé Pereira
Referências:
APMOP - Fundo: PMOP - Acervo de Fotos (não catalogado)
APMOP - Acervo Digital Zé Pereira (gentilmente cedido por Deolinda Alice dos Santos)
[POSTAGEM: Samantha Blazizza e Eric Vinícius Pinto Megale (estagiários) - REVISÃO: Helenice Oliveira] 

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Potencialidades da Documentação Fazendária

As loterias surgiram no mundo a partir dos povos hebreus, egípcios, hindus, chineses e romanos. São jogos de azar bastante populares que têm como base o sorteio aleatório de prêmios.
As primeiras loterias oficiais do mundo foram criadas nos Países Baixos, na Alemanha, na Itália, na Inglaterra e na França, durante o século XVI. A França foi o primeiro país a passar para o Estado a iniciativa de promover as loterias, em 1538. Porém a Espanha foi o primeiro país a promover as apostas com o objetivo “social” de arrecadar fundos, visando à realização de obras e infra-estrutura. O modelo administrativo utilizado pela Espanha para promover as loterias gerou resultado financeiro positivo para o governo. A partir de 1763 outros países passaram a utilizar os mesmos métodos dos espanhóis, dando inicio a criação de várias modalidades de loterias.
A primeira loteria oficial do Brasil foi extraída ainda nos tempos coloniais, em meados de 1790 - apesar de o primeiro regulamento sobre o funcionamento de loterias ser datado de 27 de abril de 1844 (decreto nº 357), promulgado por D. Pedro II. -, quando a Capitania de Minas Gerais promoveu um sorteio com o objetivo de arrecadar recursos, a exemplo dos espanhóis, para o término das obras da Casa de Câmara e Cadeia de Vila Rica, atual Ouro Preto.
Rapidamente as loterias se disseminaram pelo País, sendo que o governo, ao conceder o direito de realização, preferia hospitais, santas casas e orfanatos. Abaixo, segue uma correspondência emitida pela Câmara, justificando a importância da realização de uma loteria para a construção de um orfanato em Ouro Preto, tendo como um dos argumentos: “principalmente quando maior número de crianças, filhas de libertos e colonos vão naturalmente ficar em abandono, se tiverem a desgraça da orphandade (sic)."
APMOP - Fundo: CMOP - Documentos de Loteria
APMOP - Fundo: CMOP - Documentos de Loteria

Segue um documento com a lista de prêmios datado de 1790, com os respectivos números dos bilhetes e extrações, entregue ao Tesoureiro da Câmara do ano de 1792:

APMOP - Fundo: CMOP - Documentos de Loteria

Abaixo um exemplo de bilhete de loteria da década de 90 do século XIX: 
APMOP - Fundo: CMOP - Documentos de Loteria

Esses tipos de loterias, que visavam a arrecadação de verba orçamentária para a construção de obras que tinham por objetivo a melhoria das condições de vida e de infra-estrutura para o município, foram realizadas até o início do século XX. Abaixo segue um contrato celebrado entre a Câmara Municipal de Ouro Preto e um cidadão para a extração de loterias, uma vez que as loterias eram realizadas por terceiros – empresas ou cidadãos – com aprovação da Câmara mediante contratos. 
APMOP - Fundo: CMOP - Documentos de Loteria

Essas Loterias muitas vezes eram noticiadas pelos jornais da época, segue abaixo exemplar de propaganda de uma loteria no Jornal Mineiro datado de 18 de setembro de 1889, que iria ser realizada em benefício da Santa Casa de Misericórdia de Ouro Preto: 
APMOP-Acervo de Jornais-Jornal Mineiro-18/09/1889-Página 4

Escolhemos para essa postagem os documentos referentes às loterias para demonstrar como a documentação fazendária tem uma grande importância para a pesquisa por fornecer muitas possibilidades de recolhimento de dados de assuntos diversos, desde história do comércio local até os hábitos da população, dentre eles, a possibilidade de ganhar dinheiro com loterias e de angariar fundos para entidades filantrópicas.


Referências:
APMOP - Fundo: CMOP - Documentos de Loteria (documentação ainda não catalogada)
APMOP - Acervo de Jornais - Jornal Mineiro - 18/09/1889 - Página 4

[POSTAGEM: Samantha Blazizza (estagiária) - REVISÃO: Helenice Oliveira]

Potencialidades da Documentação Fazendária

As loterias surgiram no mundo a partir dos povos hebreus, egípcios, hindus, chineses e romanos. São jogos de azar bastante populares que têm como base o sorteio aleatório de prêmios.
As primeiras loterias oficiais do mundo foram criadas nos Países Baixos, na Alemanha, na Itália, na Inglaterra e na França, durante o século XVI. A França foi o primeiro país a passar para o Estado a iniciativa de promover as loterias, em 1538. Porém a Espanha foi o primeiro país a promover as apostas com o objetivo “social” de arrecadar fundos, visando à realização de obras e infra-estrutura. O modelo administrativo utilizado pela Espanha para promover as loterias gerou resultado financeiro positivo para o governo. A partir de 1763 outros países passaram a utilizar os mesmos métodos dos espanhóis, dando inicio a criação de várias modalidades de loterias.
A primeira loteria oficial do Brasil foi extraída ainda nos tempos coloniais, em meados de 1790 - apesar de o primeiro regulamento sobre o funcionamento de loterias ser datado de 27 de abril de 1844 (decreto nº 357), promulgado por D. Pedro II. -, quando a Capitania de Minas Gerais promoveu um sorteio com o objetivo de arrecadar recursos, a exemplo dos espanhóis, para o término das obras da Casa de Câmara e Cadeia de Vila Rica, atual Ouro Preto.
Rapidamente as loterias se disseminaram pelo País, sendo que o governo, ao conceder o direito de realização, preferia hospitais, santas casas e orfanatos. Abaixo, segue uma correspondência emitida pela Câmara, justificando a importância da realização de uma loteria para a construção de um orfanato em Ouro Preto, tendo como um dos argumentos: “principalmente quando maior número de crianças, filhas de libertos e colonos vão naturalmente ficar em abandono, se tiverem a desgraça da orphandade (sic)."
APMOP - Fundo: CMOP - Documentos de Loteria
APMOP - Fundo: CMOP - Documentos de Loteria

Segue um documento com a lista de prêmios datado de 1790, com os respectivos números dos bilhetes e extrações, entregue ao Tesoureiro da Câmara do ano de 1792:

APMOP - Fundo: CMOP - Documentos de Loteria

Abaixo um exemplo de bilhete de loteria da década de 90 do século XIX: 
APMOP - Fundo: CMOP - Documentos de Loteria

Esses tipos de loterias, que visavam a arrecadação de verba orçamentária para a construção de obras que tinham por objetivo a melhoria das condições de vida e de infra-estrutura para o município, foram realizadas até o início do século XX. Abaixo segue um contrato celebrado entre a Câmara Municipal de Ouro Preto e um cidadão para a extração de loterias, uma vez que as loterias eram realizadas por terceiros – empresas ou cidadãos – com aprovação da Câmara mediante contratos. 
APMOP - Fundo: CMOP - Documentos de Loteria

Essas Loterias muitas vezes eram noticiadas pelos jornais da época, segue abaixo exemplar de propaganda de uma loteria no Jornal Mineiro datado de 18 de setembro de 1889, que iria ser realizada em benefício da Santa Casa de Misericórdia de Ouro Preto: 
APMOP-Acervo de Jornais-Jornal Mineiro-18/09/1889-Página 4

Escolhemos para essa postagem os documentos referentes às loterias para demonstrar como a documentação fazendária tem uma grande importância para a pesquisa por fornecer muitas possibilidades de recolhimento de dados de assuntos diversos, desde história do comércio local até os hábitos da população, dentre eles, a possibilidade de ganhar dinheiro com loterias e de angariar fundos para entidades filantrópicas.


Referências:
APMOP - Fundo: CMOP - Documentos de Loteria (documentação ainda não catalogada)
APMOP - Acervo de Jornais - Jornal Mineiro - 18/09/1889 - Página 4

[POSTAGEM: Samantha Blazizza (estagiária) - REVISÃO: Helenice Oliveira]

sexta-feira, 13 de dezembro de 2013

Preservação do Patrimônio de Ouro Preto: Caminhos percorridos

APMOP - Acervo de Jornais - Jornal A Voz de Ouro Preto - 16/07/1935 - Página 1


Em fins do século XIX, mais precisamente em 1897, a capital administrativa de Minas Gerais foi transferida de Vila Rica (Ouro Preto) para Belo Horizonte. Esse fato foi muito marcante para os habitantes de Ouro Preto, que sentiram essa mudança no aspecto econômico e social da cidade, especialmente no que diz respeito ao abandono populacional. Foi um momento de muita tensão para a antiga capital da província, pois se temia que houvesse um esquecimento das tradições em detrimento da modernização que Belo Horizonte prometia.
Entretanto, apesar desse “esquecimento”, a cidade nunca perdeu a importância que teve para a história de Minas Gerais, tanto no que diz respeito a importantes sedições, como a Inconfidência Mineira, como por abrigar o maior conjunto homogêneo de arquitetura barroca no Brasil.
Essa importância pode ser ressaltada a partir da visita dos integrantes do Movimento Modernista na década de vinte do século XX, que acabou por dar uma nova visibilidade à cidade enquanto detentora desse patrimônio arquitetônico e cultural.
Na década de trinta, a partir da nomeação do prefeito João Velloso essa importância passa a ser vista pela própria administração municipal, onde se passou a sentir a necessidade de preservar a cidade.

O documento abaixo mostra uma das primeiras tentativas de João Velloso em preservar umas das tradições da cidade, como a utilização do antigo brasão de armas de Ouro Preto como timbre nos documentos oficiais:
APMOP - Livro de Decretos e Leis N°1 - Ano: 1931


No decreto a seguir é o apoio ao recém criado Instituto Histórico de Ouro Preto, que tinha como patrono Antonio Francisco Lisboa, onde tinha como objetivo, segundo o próprio documento: “cultuar as tradições e defender o patrimônio histórico e artístico de Ouro Preto”:
APMOP - Livro de Decretos e Leis N°1 - Ano: 1931


Já no decreto número 13, ficam mais claras as intenções de João Velloso em manter o aspecto arquitetônico da cidade, que tinha como objetivo manter sua face colonial:
APMOP - Livro de Decretos e Leis N°1 - Ano: 1931


No decreto número 25, João Velloso reafirma as intenções expostas no decreto 13, que obrigavam os proprietários a preservar as características coloniais das fachadas de suas construções.
APMOP - Livro de Decretos e Leis N°1 - Ano: 1932


Essa preocupação também podia ser sentida em alguns meios de comunicação, como demonstra a publicação a seguir do jornal A voz de Ouro Preto, de 6 de outubro de 1935:

APMOP - Acervo de Jornais - Jornal A Voz de Ouro Preto - 06/10/1935 - Página 1
Portanto, podemos notar que o prefeito João Velloso criou as primeiras leis de proteção ao patrimônio edificado da cidade, que antecede a lei de tombamento de Ouro Preto como Monumento Nacional, sancionada pelo governo de Vargas apenas em 12 de julho de 1935.

Referências:
APMOP - Livro de Decretos e Leis N°1 - Anos: 1931 e 1932
APMOP - Acervo de Jornais - Jornal A Voz de Ouro Preto - 16/07/1935 - Página 1; 06/10/1935 - Página 1
[POSTAGEM: Samantha Blazizza e Eric Vinícius Pinto Megale (estagiários) - Revisão: Helenice Oliveira]

Preservação do Patrimônio de Ouro Preto: Caminhos percorridos

APMOP - Acervo de Jornais - Jornal A Voz de Ouro Preto - 16/07/1935 - Página 1


Em fins do século XIX, mais precisamente em 1897, a capital administrativa de Minas Gerais foi transferida de Vila Rica (Ouro Preto) para Belo Horizonte. Esse fato foi muito marcante para os habitantes de Ouro Preto, que sentiram essa mudança no aspecto econômico e social da cidade, especialmente no que diz respeito ao abandono populacional. Foi um momento de muita tensão para a antiga capital da província, pois se temia que houvesse um esquecimento das tradições em detrimento da modernização que Belo Horizonte prometia.
Entretanto, apesar desse “esquecimento”, a cidade nunca perdeu a importância que teve para a história de Minas Gerais, tanto no que diz respeito a importantes sedições, como a Inconfidência Mineira, como por abrigar o maior conjunto homogêneo de arquitetura barroca no Brasil.
Essa importância pode ser ressaltada a partir da visita dos integrantes do Movimento Modernista na década de vinte do século XX, que acabou por dar uma nova visibilidade à cidade enquanto detentora desse patrimônio arquitetônico e cultural.
Na década de trinta, a partir da nomeação do prefeito João Velloso essa importância passa a ser vista pela própria administração municipal, onde se passou a sentir a necessidade de preservar a cidade.

O documento abaixo mostra uma das primeiras tentativas de João Velloso em preservar umas das tradições da cidade, como a utilização do antigo brasão de armas de Ouro Preto como timbre nos documentos oficiais:
APMOP - Livro de Decretos e Leis N°1 - Ano: 1931


No decreto a seguir é o apoio ao recém criado Instituto Histórico de Ouro Preto, que tinha como patrono Antonio Francisco Lisboa, onde tinha como objetivo, segundo o próprio documento: “cultuar as tradições e defender o patrimônio histórico e artístico de Ouro Preto”:
APMOP - Livro de Decretos e Leis N°1 - Ano: 1931


Já no decreto número 13, ficam mais claras as intenções de João Velloso em manter o aspecto arquitetônico da cidade, que tinha como objetivo manter sua face colonial:
APMOP - Livro de Decretos e Leis N°1 - Ano: 1931


No decreto número 25, João Velloso reafirma as intenções expostas no decreto 13, que obrigavam os proprietários a preservar as características coloniais das fachadas de suas construções.
APMOP - Livro de Decretos e Leis N°1 - Ano: 1932


Essa preocupação também podia ser sentida em alguns meios de comunicação, como demonstra a publicação a seguir do jornal A voz de Ouro Preto, de 6 de outubro de 1935:

APMOP - Acervo de Jornais - Jornal A Voz de Ouro Preto - 06/10/1935 - Página 1
Portanto, podemos notar que o prefeito João Velloso criou as primeiras leis de proteção ao patrimônio edificado da cidade, que antecede a lei de tombamento de Ouro Preto como Monumento Nacional, sancionada pelo governo de Vargas apenas em 12 de julho de 1935.

Referências:
APMOP - Livro de Decretos e Leis N°1 - Anos: 1931 e 1932
APMOP - Acervo de Jornais - Jornal A Voz de Ouro Preto - 16/07/1935 - Página 1; 06/10/1935 - Página 1
[POSTAGEM: Samantha Blazizza e Eric Vinícius Pinto Megale (estagiários) - Revisão: Helenice Oliveira]

sexta-feira, 22 de novembro de 2013

ACERVO PESSOAL XAVIER DA VEIGA



Em meados de 2012, o acervo do Arquivo Público Municipal de Ouro Preto passou a contar com documentos referentes à trajetória de José Pedro Xavier da Veiga, doados pela família Veiga.


José Pedro Xavier da Veiga teve, desde seu princípio, destacável contato com a literatura e a imprensa. Ao completar doze anos, em 1859, já participava da fundação da Sociedade de Ensaios Literários, na cidade do Rio de Janeiro; berço de suas primeiras publicações. Foi o idealizador e precursor dos estudos sobre jornalismo em Minas Gerais e fundador do jornal “A Província de Minas”.
Xavier foi responsável pela elaboração e publicação das Efemérides mineiras, Tratam-se de um vasto conjunto organizado de notas bibliográficas, abordando fatos relacionados à história de Minas Gerais, desde o ano de 1664 até o ano de 1897. Considerada o maior catálogo de informação histórica sobre Minas. Composta de uma densa coletânea de leis, alvarás, decretos, dados estatísticos, demográficos, econômicos, eclesiásticos e administrativos, além de sínteses de eventos, histórias e curiosidades da região. 


Primeira edição das Efemérides Mineiras














 Em Ouro Preto teve ativa participação no resgate documental da história de Minas Gerais, tendo participado da fundação da maior instituição arquivística do estado de Minas, além de ter cedido o térreo de sua própria residência para abrigar os primeiros trabalhos do Arquivo Público Mineiro (APM).
Segue abaixo retrato da antiga residência de Xavier da Veiga e primeira sede do APM.


O documento seguinte traz a nomeação de Xavier da Veiga para diretor do APM.


 Abaixo segue um convite formal para um concerto em homenagem ao imperador, remetido a Xavier da Veiga e sua família, o que ilustra o seu prestígio.


Eis uma pequena amostra do acervo pessoal da família Veiga, que conta também com correspondências, fotografias, jornais e outros documentos; disponíveis para consulta na sede do Arquivo Público Municipal de Ouro Preto.

Referências:
- VEIGA, José Pedro Xavier da. "Efemérides Mineiras 1664-1897". Fundação João Pinheiro, Belo Horizonte, 1998.
- Imagens:  Fundo: José Pedro Xavier da Veiga. Arquivo Público Municipal de Ouro Preto.

 Postagem: Eric Vinícius Pinto Megale (Estagiário)
 Revisão: Helenice Oliveira e Polyana Oliveira